Joelmir Beting
Engatando a primeira
AA retomada do crescimento econômico com tranquilidade cambial, estabilidade monetária e neutralidade fiscal é tudo o que o brasileiro vinha pedindo a Deus e a FHC. Pois esse tripé está armado e o relançamento do PIB vai de 3% a 4% ainda em 2000 e de 4% a 5% em 2001. Sim, na minha bola de cristal.
O programa de estabilização usinado pelo Plano Real admitia a expansão sustentada e duradoura dos negócios a partir de 1997. Não deu. E não por desvios internos, mas por choques externos. O tombo do México, na entrada de 1995, produziu entre nós um arrocho monetário (e cambial) de caráter preventivo. E lá se foi para o brejo toda a travessia de 1995/1996.
Na metade de 1997, retemperadas as expectativas gerais de relançamento dos negócios, deu-se a trombada da pequena Tailândia no outro lado do mundo sem juízo. A bordo da bolsa global, espalhou-se a neura em tempo real: se até um tigre entra em pânico, por que não uma anta?
E tome a fuzarca asiática de outubro, anúncio do Juízo Final do capitalismo (sub)emergente. Aí o Brasil contratou um choque fiscal e monetário para arruinar o consumo, a produção e o emprego por todo o ano de 1998 exatamente o ano da (re)eleição. Como desgraça pouca já era bobagem, veio em agosto o colapso da Rússia, o urso que virou bode. Um novo pacotaço criogênico e nada reeleitoreiro teve de ser pespegado em setembro, quatro semanas antes das urnas.
Deu para salvar a reeleição de FHC, mas não a rebrota do PIB em 1999. Em janeiro, o estouro do câmbio automático contratou de vez a estagnação da economia com arrepiante recarga da carestia. Como Deus, em sendo brasileiro, estava de plantão, o Brasil não acabou em 1999. E chegou aos 500 anos de idade tal como um time de futebol que ganha o campeonato além da prorrogação, adversário chutando o quinto pênalti no travessão.
O reator da retomada é polivalente: 1) afrouxo do arrocho monetário, acionando a reserva de potência da economia movida a crédito bancário; 2) aumento dos investimentos em ampliação, modernização e diversificação do aparelho produtivo; 3) modelagem de políticas setoriais de desenvolvimento; 4) afastamento de uma nova crise global, com o pouso suave da astronave americana.
E mais: o petróleo resvala para o preço razoável, o câmbio consolida sua taxa de equilíbrio, a Argentina teima em não implodir, as contas públicas fazem lipoaspiração nos gastos e a taxa básica de juros já está abaixo de 10% ao ano deflacionada pelo IGPM. Amém.





