Joelmir Beting
O ajuste maior
A taxa básica está, finalmente, de bom tamanho. No piso nominal de 17,50% ao ano, a Selic transporta uma taxa real (para julho), de apenas 10% se deflacionada pelo IPCA dos últimos 12 meses. Ou abaixo de 4%, de padrão internacional, se despida do IGPM, índice favorito do mercado financeiro.
A decisão do Copom não estava na cartela de apostas de analistas financeiros que fazem do ceticismo uma garantia de emprego. Pesaram nela os bons indicadores da economia brasileira (incluídas as contas fiscais) e não apenas o refresco da paranóia importada dos caprichos do Fed, dos bochinchos da Nasdaq, dos cochichos da Opep ou dos borrifos da Argentina.
Yes, voltamos a voar com nossas próprias asas. Chega de deixar o Brasil de braços cruzados e cofres fechados até a próxima terça-feira, nova reunião do Fed, banco central americano. Nosso feriadão já cuida disso. O rabo da monetarice dogmática não pode continuar abanando o cachorro da economia real, ainda em transe.
Cuidemos de festejar a resposta de bate-pronto de meia dezena de bancos espertos: os que ontem mesmo anunciaram a redução das taxas de ponta em suas operações de crédito ao setor produtivo. Em especial, taxas de leasing, de crédito ao consumo e de linhas de capital de giro.
Até porque o Copom não se contentou em deletar um ponto porcentual da Selic reencarnou o viés de baixa. Que poderá ser acionado antes da próxima reunião dos juros, agendada para 18/19 de julho. Claro, se o Fed não aumentar os juros na próxima semana e se a Opep, reunida hoje em Viena, aumentar a oferta de barris no mês que vem. Ah! Uma Selic abaixo de 17,50%, até agosto, depende igualmente da contenção do novo tarifaço com aviso prévio nas telecomunicações, nos combustíveis, nos transportes e pedágios e nas contas de força e luz.
O detalhe: nos preços de mercado, em liberdade, fábricas não conseguem repassar custos para preços. Nos preços de governo, os próprios e os administrados, o repasse de custos (molóides) para preços (reindexados) desfila crachá de direitos adquiridos em contratos de concessão. Eta Brasil trapalhão!
O importante é que os juros deram de baixar a crista também no crédito bancário. Nos últimos 12 meses, as taxas para capital de giro caíram, em média, de 73,5% para 45,5% ao ano (dois terços dessa redução nos últimos três meses). No crédito pessoal de banco, queda não menos refrescante de 169,4% para 60,1%. Fonte: Bacen.
Secos & Molhados





