Joelmir Beting
A opção da Banda C
A decisão está tomada: a telefonia celular brasileira de terceira geração (3G), vulgo Banda C, vai embarcar no padrão digital americano TDMA/CDMA, com faixa de freqüência de 1,9 gigahertz. O anúncio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é esperado para hoje. Um parto de montanha tecnológico (e mercadológico) que já dura quatro meses.
O mercado brasileiro, terceiro maior elástico ainda não puxado do mundo, era disputado também pelo padrão europeu Global System Mobile (GSM), de 1,8 gigahertz. Global, sim. Ele está presente em 144 países, a serviço de 272 milhões de assinantes. Um padrão aberto que tem como ponto-de-venda a prerrogativa de permitir o uso do celular fora das áreas de concessão das operadoras. Com roaming internacional
automático.
O padrão americano domina as três Américas e já foi adotado pela Argentina. Tem um pé na Coréia. As americanas Motorola e Qualcomm juntaram-se com a européia Ericsson e com a coreana Sansung no desenvolvimento do TDMA/CDMA. O padrão europeu conta com o suporte da Siemens, Nokia e Alcatel. Briga de mamutes.
Pesa na decisão da Anatel a existência de plataformas nacionais compatíveis com a faixa de 1,9 gigahertz. Isso vale como ponte digital mais curta e menos custosa para a recepção da Banda C, com sobras para a Banda B. E não se afasta a idéia de trazer também o GSM europeu para serviços exclusivos 3G de alcance global. É o que recomenda a 188 países filiados a União Internacional de Telecomunicações (UIT).
Por cima e ao largo da briga Estados Unidos/União Européia, a UIT desenvolve o pacto IMT 2000 na busca da telefonia global sem fio, com padrão digital verdadeiramente único. Em comunicação não existe meio padrão. A falida Iridium que o diga. Afinal, o celular exige algo mais que qualidade e preço. Também, compatibilidade.
Pelo sim, pelo não, vamos de TDMA/CDMA. Se na telefonia celular a União Européia deixou os Estados Unidos na poeira digital, nos tratos da Internet os americanos ganham dos europeus de goleada. E o celular 3G foi apurado exatamente para realizar o casamento indissolúvel do Telecom com a Datacom. Ou da telefonia celular com a Internet de Banda Larga, sob o protocolo WAP.
Sim, o celular 3G vai dar acesso a uma megamídia completa: telefonia, televisão, computação, e-mail, e-business, e-commerce, rádio, som, fax, vídeo, walkman, malote, recado, motoboy e tambor da selva. Ele nasce com pinta de tudo e cara de nada.
Secos & Molhados





