Joelmir Beting
Reinventando a roda
Desenvolvimento sustentável. Novo paradigma da indústria automobilística. No interesse da preservação do planeta? Sobretudo, no interesse da salvação da própria pele. Ou da própria lata. Ela investe pesado na poupança do combustível fóssil, na substituição futura da gasolina e do diesel, na utilização de novos materiais ecologicamente corretos e na reciclagem cada vez maior de peças e componentes.
Quem segue essa pista é o físico americano Amory Lovins, co-autor do novo livro de cabeceira do presidente Bill Clinton: Natural Capitalism, lançado agora no Brasil pela Cultrix/Amana-Key (e-mail: pensamento boca do forno das montadoras, como hypercar).
Pois bem. A atual frota de 145 milhões de veículos em circulação nos Estados Unidos serve-se de uma área pavimentada de 318 mil km. A boa manutenção dessa vasta malha consome US$ 210 milhões em produtos e serviços por dia. A manada energívora queima 8,2 milhões de barris de petróleo por dia. Ela deixa no ar um quarto dos poluentes da estufa global made in USA e solta na terra e na água 3,5 milhões de toneladas por ano de resíduos metálicos, plásticos, orgânicos e tóxicos.
Emais: nove décadas de produção em massa não conseguiram aumentar a eficiência energética dos motores na proporção adequada. Dois terços dos avanços nessa área só ocorreram no último quartel do século, sob o safanão purgativo da Opep.
Ainda assim, um vexame. Segundo Lovins: Os novos motores exploram apenas um quinto da energia contida no tanque. Cada automóvel americano queima por ano o próprio peso em gasolina. Agora, outra vez com a ajuda da Opep, retoma-se a idéia da propulsão elétrica na engenharia dos motores, juntamente com a idéia da célula de hidrogênio na química dos combustíveis.
No Rio, dia 2, Amory Lovins disse que as montadoras americanas trataram de mergulhar de cabeça nos reptos do desenvolvimento sustentável até por uma questão de remorso corporativo. Sem alarde, firmaram o pacto de fazer do design um domínio público não mais patenteável. E da pesquisa de novos padrões de produção e de produto uma parceria estratégica. Com direito de acesso à caixa-preta da Nasa nas engenharias do motor e do combustível.
Aeletrônica embarcada, já na idade digital do carro chipado, tem sido o bom atalho para a conquista, até 2005, de um hypercar a um só tempo mais econômico, mais seguro, mais confortável, mais silencioso, mais reciclável, mais limpo. E, se possível, mais barato.
Secos & Molhados





