Os barris do medo
O barril do petróleo de primeira aproxima-se de US$ 33 em Nova York e o galão de gasolina (3,8 litros) crava US$ 2,10 em Los Angeles a mais alta cotação em 13 anos. Por causa disso, o cartel da Opep treme nas bases. Ou nas barbas.
Como é que é? O bloco dos 11 países exportadores teme a repetição do ‘‘bumerangue’’ dos choques de 1973/74 e 1979/80. Barril valendo em bolsa dez vezes mais do que realmente custa na sonda leva o mundo inteiro a uma retaliação de mercado implacável. Feita de quatro revides: 1) conservação maior nos usos da energia em geral; 2) exploração de poços de baixo retorno na terra e no mar; 3) entrada de novos ‘‘players’’ no suprimento mundial; 4) substituição do petróleo por fontes alternativas (re)viabilizadas pela alta dos barris.
Fiquemos no efeito conservação. Desde o primeiro ‘‘oil shock’’ opepiano, em outubro de 1973, o consumo de energia por unidade de produto e/ou serviço acumula uma redução supimpa de 43% na média dos 29 países mais ricos do mundo Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na média dos veículos automotores made in Estados Unidos, Europa e Japão, a poupança dos combustíveis foi de 58% no critério carga/km (AIE/FIA).
No efeito substituição, a França fica com a taça. Em cinco anos, todas as termoelétricas a óleo, que respondiam por 44% da matriz energética, foram substituídas por usinas atômicas. Que baniram da área também as termoelétricas a carvão. Hoje, os reatores nucleares garantem 83% da eletricidade total na França. Ou 62% na Bélgica, 42% na Suíça e 39% na Suécia. O Japão da imolação atômica já saca um terço da energia total dos reatores. Um deles, instalado no porto da cidade-mártir de Hiroshima...
Sobre o futuro do petróleo finito e da energia nuclear redimida, recomendo dois ensaios de peso: 1) The Shocks of a World of Cheap Oil, de Amy Myers Jaffe e Robert Manning; 2) The Need for Nuclear Power, de Richard Rhodes e Denis Beller. Publicados na edição janeiro/fevereiro 2000 da Foreing Affairs (www.foreingaffairs.org).
Entre nós, um dos cenaristas de maior prestígio no setor de energia é o professor José Goldemberg. Ele acaba de presidir o grupo de pesquisadores de meio mundo que preparou o Relatório da ONU e do Conselho Mundial de Energia sobre os desafios da energia no século 21. O documento deve ser divulgado só em setembro.
Enquanto isso, a Opep parte rachada para a reunião ministerial de Viena, quarta-feira, 21. Tripulado pela Arábia Saudita, o grupo dos pombos quer aumentar a produção para resfriar a cotação. A turma dos falcões, liderada pelo Irã, prefere desconversar.


Secos & Molhados

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