Pressão para baixo
Diretores do Banco Central juram, por todos os juros, que não temem rebaixar os juros na base nem descartam pressionar a queda dos juros na ponta. Eles não se consideram reféns do Fed nem da Opep. E muito menos dos caprichos do câmbio em liberdade. Sustentam, igualmente, que não estão manietados pelo (des)ajuste fiscal, porta de entrada da desconfiança global.
Pelo sim, pelo não, o Comitê de Política Monetária (Copom), dono da palavra final sobre a manutenção (ou não) da Selic em 18,50% ao ano, tem mais dez dias de avaliação do mercado para a reunião dos dias 19 e 20. Até lá, os membros do Copom consideram-se a salvo de pressões internas e de cobranças externas. A matéria é estritamente técnica e não se presta à manipulação política, avisa o diretor de Política
Econômica do BC, Sérgio Werlang.
Espaço técnico é o que não falta para a redução dos juros na base e na ponta mais na ponta que na base. Na ponta dos empréstimos bancários ainda se paga mais de 50% ao ano no capital de giro das empresas. Ou mais de 70% ao ano no crédito ao consumo de bancos e de lojas.
Como rebaixar os juros na ponta? Roberto Egydio Setubal, presidente da Febraban, entidade nacional dos bancos, dá a pista. Primeiro: reduzir ainda mais os recolhimentos compulsórios (ainda de 55%) para aumentar a oferta de crédito e returbinar os ganhos de escala da intermediação financeira. A oferta continua abaixo de 30% do PIB, contra 80% ou mais nos países organizados e competitivos. Segundo: reduzir a cunha fiscal embutida na taxa final, da ordem de 25% do ‘‘spread’’ bancário. Lá fora, menos de 10%.
Terceiro: desbastar os estorvos judiciais que estimulam a inadimplência, responsável por cerca de 35% do mesmo ‘‘spread’’ bancário. A Justiça tarda e falha. Ou seja: os mutuários pontuais pagam pelo calote dos empréstimos sem retorno. Nossos juízes ainda capitulam como absurdo o tal de anatocismo: a cobrança de juros compostos sobre recursos captados igualmente com juros compostos. E não admitem separar os juros do principal nas pendências sobre juros. Só no Brasil.
Roberto Egydio Setubal, comandante do Itaú, diz ainda que a redução dos juros na base e na ponta tem a ver com a estabilidade da moeda, com o ajuste fiscal e com a expansão da economia. Passa igualmente pela modernização dos bancos e pela tarifação dos serviços. Mutuários não devem pagar pelos usuários.


Secos & Molhados

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