Joelmir Beting
Criminal exuberance
A oitava potência econômica do mundo deve realizar, este ano, um PNB de US$ 1 trilhão, redondão. Ela vem crescendo 7% ao ano, sustentadamente. Ou seja: dobra de tamanho a cada dez anos. A estimativa é de quem de direito: a Inter Access Risk Management, de Londres. A participação brasileira nesse vasto bolo seria de exatos 3,2%. Ou US$ 32 bilhões, perto de 5% do PIB verde- amarelo.
A oitava potência não tem bandeira nem fronteira. Chama-se Crime Organizado (por dentro e ao largo de Estados desorganizados). Abastecido por pesquisas da American University, de Washington, o Banco Mundial acaba de cunhar um indicador supimpa para os negócios do ramo: Produto Criminoso Bruto (PCB). Economia feita de corrupção, violência e sonegação, trigêmeas siamesas.
AEssa criminal exuberance não faz distinção de países ricos, pobres e emergentes (ou submergentes). Nem de classe social dentro de cada nação contaminada. Não há, em parte alguma, sociedade imunizada contra o crime que compensa. O que pode variar, de uma para outra, é o grau de impunidade (ou de impunibilidade) dos corruptos e dos violentos. Ou o nível de omissão (e de comissão) dos profissionais e instituições encarregados de combatê-lo.
Ainda não se vislumbra uma reação global no front da indústria da lavagem desse dinheiro feito de lama e de sangue. A lavagem é o reator do crime organizado. Dessa indústria cada vez mais atrevida participam bancos e empresas de idoneidade impoluta. Não raro, sem se dar conta dessa cumplicidade, ressalva o dossiê da Inter Access Risk Management.
Faz parte do DNA do crime organizado servir-se do sigilo bancário, instituição sacralizada da cidadania universal, para deitar, rolar e lavar-se em bancos, fundos, bolsas, empresas, governos, igrejas, ONGs... A lavagem assim garantida estimula quadrilhas, legitima fortunas e protege reputações. A nova meca da lavagem global chama- se Rússia, o urso que virou bode. Tripulada por ex-agentes da KGB e por ex-patentes do Exército Vermelho de raiva, a máfia russa controla 40%
do PIB das ex-repúblicas da URSS.
Como é possível lavar tanto dinheiro de tanta coisa de tanta gente e por tanto tempo em todo o mundo? É o que se pergunta, em simpósios solenes, a International Transparency. Cujos pesquisadores apontam o advento da moeda virtual, de alcance global, em tempo real, como o novo grande aliado do Produto Criminoso Bruto. Sem mistério: negócios digitais não deixam impressões digitais.
Secos & Molhados





