Joelmir Beting
A volta da tigrada
O capitalismo emergente dos tigres asiáticos, com sobras para o socialismo de mercado do planeta China, levanta a cabeça e mostra os dentes e as garras da recuperação silenciosa. É o tal negócio: quando a economia vai mal, a megamídia global apela para o catastrofismo da podridão dos fundamentos do mercado. Quando vai bem, é fervura transitória. Ou exuberância irracional.
A Coréia do Sul pontifica nessa volta por cima. O crash asiático de 1997 derrubou o PIB coreano de +7,5% para -5,8% em 1998. Ano passado, o da virada, expansão de 10,7%. Sem alarde e sem notícia. Este ano, até maio, mais 7,3%. Algo parecido ocorreu com Tailândia, Malásia, Indonésia, Cingapura e Filipinas. Sem contar Hong Kong e Taiwan, graníticas pérolas chinesas.
A O sonho não acabou. O que houve em 1997 foi um ajuste técnico da irracional exuberância do crédito bancário asiático. Uma crise produzida pelo sucesso do modelo e não pelo fracasso do próprio. Daí a velocidade do ajuste e a sustentabilidade da retomada. Não se tratava de uma podridão neoliberal (ao contrário da pregação ainda hoje reinante em livros, ensaios e simpósios produzidos aqui no lado ocidental da fuzarca global).
A modelo coreano é feito de reforma do Estado, com ênfase para a concentração dos investimentos públicos em duas das funções básicas de governo: educação e saúde. No setor privado, estímulos à formação de conglomerados (chaebol) de alcance global, servidos por uma pauta exportadora moderna e competitiva.
Ano passado, as exportações cresceram 22,5%. Este ano, até maio, 37%. A eletrônica de consumo, com marcas próprias, responde por 32% da fatura externa. Os embarques totais subiram agora para um terço do PIB. Aqui no Brasil varonil, menos de um décimo. Estamos vendendo o que os peritos do ramo chamam de pauta velha. Com commodities do berço esplêndido valendo, nos termos de troca, cada vez menos. Irreversivelmente.
Em todo o mundo, o megabloco da opulência capitalista, dita em crise, o dos 29 países da OCDE, ensaia crescer 4% este ano. É o que garante o impulso de banguela dos primeiros cinco meses do ano. Com taxas anuais sazonalmente ajustadas, a OCDE aponta expansão, este ano, de 4,9% para a locomotiva americana (4,2% em 1999), de 3,4% para a União Européia e de 1,7% para o Japão.
A inflação média anual do bloco sobe de 2,5% para 2,8%. O desemprego recua de 6,6% para 6,3%. E o comércio mundial reacelera de 5,7% para 10,4%. Novo recorde da globalização.
Secos & Molhados





