Joelmir Beting
Passarela do mundo
A Expo 2000, em Hannover, reprisa o figurino da Expo 1900, em Paris. O espírito é o mesmo: na virada de cada século, uma exposição universal, com o caráter institucional prevalecendo sobre o interesse comercial. Pero no mucho. Nos tempos globais da Expo 2000, o institucional está ostensivamente a serviço do comercial.
Hannover, 350 mil habitantes, tem tradição de campeã de feiras desde a Idade Média. Troféu que ela sempre disputou com Leipzig e que Leipzig perdeu feio quando se viu abafada pela anorexia econômica da Alemanha Oriental, sucatada por 42 anos de comunismo falido. Para realizar a Expo 2000, a cidade alemã do chanceler Gerard Schroeder teve de eliminar, em concurso, rivais do peso de Berlim, Paris, Londres, Estocolmo, Milão, Madri, Sydney, Tóquio, Hong Kong, Pequim, Nova York, Chicago e Toronto.
A cidade vive das feiras e para as feiras. São 16 megaeventos por ano, organizados pelo grupo privado Hannover Messe. Dono de um conjunto de 26 pavilhões que totalizam 730 mil mÔ de áreas de exposição e mais 950 mil mÔ de áreas de apoio. Para a Expo 2000, o espaço construído foi ampliado para 1,4 milhão de mÔ (dos quais, 3.200 ocupados pelo Brasil).
A
De junho a outubro, a Expo 2000 conta recepcionar nada menos de 46 milhões de visitantes. A cidade aguenta? Sim. Ela dispõe do melhor sistema de transporte público intermodal do mundo, com sobras para todas as cidades vizinhas. Quase metade da população deixa a cidade nas feiras e aluga casas e apartamentos para a Hannover Messe. Esta repassa perto de 120 mil leitos para a capacidade hoteleira da cidade e da vizinhança.
O Brasil vai de biodiversidade no pavilhão encomendado pelo Itamaraty. Bela atração para um público disputado por outros 172 países. Mas o que se discute aqui na Botocúndia é o excesso de gastos, sem licitação, na montagem do pavilhão brasileiro. Diga-se: gastos menores que os dos pavilhões da Argentina, Venezuela, Colômbia, México e toda uma penca de países asiáticos e africanos.
Aresente na abertura da Expo 2000, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi informado pelo embaixador Roberto Abdenur que o pavilhão brasileiro deve atrair perto de 2,3 milhões de visitantes até 31 de outubro (5% do público total). Efeito líquido: o total de turistas alemães e europeus no Brasil poderá subir, em três anos, de 390 mil para 580 mil por ano. Aumento de US$ 310 milhões para um investimento, no pavilhão, de US$ 11 milhões.
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