Joelmir Beting
Nunca desanime. Afinal, o sucesso costuma ser feito de 49% de fracasso.
Soichiro Honda (1907-1991, industrial japonês).
Um disco voador
AA jovem economia da informação carece de informação confiável sobre o formato, o tamanho e o conteúdo de seu próprio ciberespaço aqui no Brasil. Já virou esporte nacional, por exemplo, adivinhar o número de pessoas, empresas, entidades e governos plugados na Internet. Sabe-se que nossa taxa de inclusão na rede virtual é hoje uma das mais rápidas do mundo. Disparada servida pelos saltos não menos pirotécnicos da plataforma nacional de computação e telefonia.
Cinco fontes disponíveis na própria Internet informam que a população on-line, posição de março, vai de 3,8 milhões a 9,4 milhões de internautas. A diferença entre a estimativa mais tímida e a sondagem mais ousada nada tem a ver com dispersão de metodologia. É façanha da chutometria. Seria como afirmar que a população da China deve estar hoje entre 910 milhões e 1 bilhão e 250 milhões de habitantes. A diferença seria toda a população da Europa.
E o que dizer da tentativa de avaliar a carga nacional de acessos por dia? Uma das fontes dá até mesmo o tempo médio da navegação diária per capita no país: 13m24s. Outra jura que a fatia das mulheres já é de 34,2% e que a navegação em casa responde por 43% do tráfego total no ramal brasileiro da infovia global. Ah! Acessos por diversão superam os acessos por informação, trabalho, estudo e negócio na proporção de 58% versus 42%.
A porosidade estatística não é invenção da Internet. A chutometria empolga todos os setores da vida brasileira, desde a primeira machadada lusitana no primeiro pau-brasil. O problema é que a imprecisão dos dados incomoda, sobretudo, os investidores em negócios digitais que não deixam impressões digitais.
A dificuldade começa pelo inventário da plataforma brasileira de micros de mesa e de mão (agora que já se tem celulares faiscando na Web). A massa física de PCs não tem o mesmo rastreamento legal e fiscal da massa de automóveis. E o importabando de micros deixa na poeira o importabando de carros. E qual seria a taxa de descarte dos micros que já deram no couro?
Ligado ao Gartner Group, o Dataquest informa que as vendas de PCs no mercado interno cresceram 45% em 1999 e ensaiam avançar 80% este ano.
Projeta-se a fatura de 1,1 milhão de unidades para uso domiciliar e 1,8 milhão para uso corporativo. Alguns analistas do setor estimam que a plataforma brasileira de micros já passa de 12 milhões de unidades. E que haveria uma demanda reprimida da ordem de 3,2 milhões na classe média e de 1,7 milhão nas pequenas e médias empresas. Com o advento da Internet de banda larga, gratuita e folgada, aí o mercado explode de vez.
Secos & Molhados





