Joelmir Beting
Rumo à bioeconomia
Banco tem cheiro? Sim. E o cheiro do Banco Netuno é diferente do cheiro do Banco Esparta. Ou do Banco Saturno. A guerra dos odores bancários não passa de uma jogada de marketing embutida na transmissão on-line de imagens, filmes e vídeos de banda olfativa.
A mesma apelação de mercado empolga a indústria de alimentos em geral e a indústria de cosmética e higiene pessoal as primeiras a fazerem uso dessa nova tecnologia de informação. O desenvolvimento da banda olfativa começou faz um bom tempo. Mas só agora, nesta segunda década do século 21, é que o chip do olfato se tornou economicamente viável.
Os primeiros odores digitais foram apurados no já distante 1999. Por duas empresas americanas pioneiras: a DigiScents, de Oakland, e a Ambryx, de La Jolla, Califórnia. Ambas demonstraram, simultaneamente, em novembro daquele ano, que os elementos básicos do cheiro podiam ser captados molecularmente e armazenados digitalmente. Na época, virada do Milênio, os experimentos das atuais gigantes da bioeconomia foram levados na galhofa pela multimídia e esnobados pelos investidores de risco.
É assim que Stan Davis e Chris Meyer simulam o noticiário de maio de 2020. Eles são pesquisadores do Ernst & Young Center for Business Innovation, instalado em Cambridge, nos arredores do câmpus do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Na semana passada, num ensaio para a Time, Davis e Meyer traçaram o fio da meada que vai levar a atual revolução da infoeconomia a entregar o bastão virtual a uma revolução ainda maior a da bioeconomia.
Bioeconomia? A Sociedade do Conhecimento, já na Idade Digital, fará da maturidade das tecnologias da informação (por volta de 2010) a base de lançamento para a consagração econômica definitiva da engenharia genética (ali pela altura de 2020). A miragem da banda digital olfativa é apenas um toque de exotismo nas transformações ciclópicas que, segundo os autores, mudarão o formato e o conteúdo das indústrias de alimentos, de remédios, de cosméticos, de higiene pessoal, de limpeza doméstica, de controle ambiental, de tecidos...
A primeira semente da bioeconomia foi plantada em 1953, quando da identificação da estrutura em hélice dupla do DNA. A próxima data histórica é esperada para 2003 a do sequenciamento completo do genoma humano. Em 2020, a digitalização comercial de mais três processos biológicos de informação (além da visão e da audição): o olfato, o paladar e o tato.
Secos & Molhados





