Sócios do mundo
Dizem que o mercado de capitais caminha para o estágio terminal de uma bolsa global com custódia idem. Esse movimento telúrico já teria começado. Bolsas de meio mundo oscilam diariamente na mesma direção e quase no mesmo porcentual, independentemente dos indicadores bons ou ruins das respectivas economias nacionais.
Ou seja: o mercado sem fronteira e sem bandeira já é uma realidade virtual. E o processo de fusões de bolsas vai de vento em popa do tipo tufão de cauda. As bolsas brasileiras juntaram-se na Bovespa – que já namora as bolsas da Argentina e do Chile. Na Europa, alemães e franceses acabam de rasgar postulados de orgulho e de cultura nacionais na direção de um pregão on-line unificado. Já ofereceram carona a italianos e espanhóis e ameaçam, assim em bloco, a liderança da bolsa londrina.
A Inglaterra é uma ilha e gostaria de permanecer ilhada. Não entrou na ‘‘convergência macroeconômica’’ da moeda européia única (o euro), mas admite uma futura fusão com as bolsas do Continente. Londres troca alianças de noivado com Frankfurt e projeta uma ponte transatlântica com a Nasdaq americana. Que já opera em rede com as versões eletrônicas das bolsas de Sydney, Osaka e Hong Kong. E a velha Nyse amarra os pregões com Toronto, México e Tóquio.
A semente da bolsa global, mera questão de tempo, carrega o mesmo genoma sequenciado da globalização econômica: o advento da Idade Digital no ‘‘front’’ das tecnologias da informação. Bolsa é bite e o bite dá a volta ao mundo em menos de um segundo. Isso precipitou a desregulamentação dos mercados nacionais. Há dez anos, se tanto, alguém poderia imaginar investidores estrangeiros trafegando pelas bolsas brasileiras? Ou empresas brasileiras emitindo títulos nas bolsas americanas?
Em volume diário de negócios, a Nasdaq on-line (inventada em 1971) acaba de ultrapassar a granítica Nyse (fundada em 1792). Na média da primeira quinzena de maio, US$ 41,5 bilhões na primeira e US$ 35,3 bilhões na segunda. Em valor de mercado, a Nyse impera com US$ 12,7 bilhões, contra US$ 5,1 trilhões da Nasdaq. Ou US$ 4,6 trilhões da Bolsa de Tóquio e US$ 2,9 trilhões da de Londres.
Em matéria de concentração de mercado por empresa, a taça esculpida pelo Morgan Stanley é repartida entre as Bolsas de Hong Kong e Helsinque. As dez maiores empresas respondem, em ambas, por 89% do respectivo valor de mercado total. A coisa está acima de 60% na Suíça, Espanha, Suécia e Holanda. Nos Estados Unidos, nada além de 18%. Aqui no Brasil? Perto de 75%.


Secos & Molhados

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