Parou de piorar
O presidente poderia ter simplificado o raciocínio: se ainda não melhorou, o Brasil já parou de piorar. A estabilização da moeda e do câmbio (fator condicionante) está finalmente no papo. A inflação acumulada do primeiro quadrimestre, medida pelo IPCA, contentou-se com 1%. E a taxa de equilíbrio do câmbio, orquestrada pelo mercado, não arreda pé da banda livre de R$ 1,75 a R$ 1,85.
A reativação da economia e do emprego (fator condicionado) deve ter acumulado no primeiro terço do ano uma expansão de 3,5%, guinchada pelo setor industrial, com desempenho positivo de quase 6%. Em 1998/1999, fundo do poço do Plano Real, o PIB registrou crescimento zero vírgula zero. Com recuo de 1,4% ao ano no produto por habitante e perdas dolorosas na força nacional de trabalho.
Na média de seis anos do Plano Real (1994/1999), o PIB brasileiro registrou um crescimento anual médio de 2,7%. No triênio de Collor, o Demolidor, a recessão acumulada foi de 3,8%. Em troca de uma inflação de até 2.830% ao ano. Sim, a recessão não derrubou a inflação. Virou ‘‘stagflation’’, o pior dos mundos.
A A reativação da economia, autorizada pela reafirmação da vitória sobre a carestia (com deflação em 1998), carrega condições concretas para um ciclo de crescimento sustentado da ordem de 5% ao ano. Ou até mais que isso se o garrote monetário for afrouxado pela caneta do governo (sem necessidade da mutreta do Congresso). Desde que a taxa de investimento (formação bruta de capital fixo) cresça de 19% para 24% do PIB.
O crescimento econômico com estabilidade monetária deveria ter feito uso do ‘‘impulso de banguela’’ da euforia do Real no segundo semestre de 1994. O PIB fechou aquele ano com expansão de 5,9%. E tome freada geral a partir da crise do México (1995). Tranco ainda maior ocorreu em nome da crise da Ásia (1997). E veio na seqüela a crise da Rússia (1998). E não houve como escapar do choque cambial, com direito a uma estúpida sinistrose nacional (1999).
E agora em 2000? Será que vamos entornar o refresco e recomeçar a importação da crise dos outros? Esse contrabando emocional se faz pelos condutos da nossa vulnerabilidade externa (mais fiscal aqui dentro do que cambial lá fora). Pois estamos completando hoje 40 dias e 40 noites de nova paranóia coletiva on- line. Nos dias ímpares, impactados pelos soluços da Nasdaq e pelos sustos do Fed. Nos dias pares, amedrontados pelas cólicas da Argentina. Além, claro, dos espirros e esbirros de nossa fauna política.


Secos & Molhados

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