Joelmir Beting
Fomc, Fomc, Fomc
Entre o desastroso de uma rebrota da carestia e o desagradável de uma freada na economia, Alan Greenspan e ilustres pares do Fomc do Fed (vixe!) devem optar pela segunda via. Na penada de hoje, a autoridade monetária executará, literalmente com aviso prévio, uma elevação de meio ponto porcentual na taxa básica de juros, timbrada pelos chamados Fed Funds.
Fed Funds? Humm! Fed é a sigla do Federal Reserve Systems, banco central dos Estados Unidos. Fomc é a sigla, em inglês, do Comitê Gestor de Política Monetária do Fed. Equivalente ao Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.
O mundo todo sai para o acostamento, aguardando o Fed passar. Sabe-se que não bastará elevar a taxa básica para 6,50% agora em maio. Mantendo-se o viés de alta, haverá necessidade de nova puxada de 0,50 ponto em julho e outra mais em setembro. Por uma simples e boa razão: a economia americana, locomotiva global, tende a permanecer soltando fogo pelas ventas de uma prosperidade nacional que já dura 111 meses corridos.
O longo ciclo da opulência americana dá carona a um novo surto de perplexidade acadêmica. Para os economistas, quando a demanda aquecida fica maior que a oferta exaurida, a inflação late e morde. No caso americano, o consumo agregado cresce acima de 5% ao ano, com desemprego abaixo de 4%. Mesmo assim, a inflação não consegue sair da jaula, ronronando abaixo de 1,5% ao ano. Houve nova queda no índice de preços do atacado em abril...
Dizem que Greenspan está de olho rútilo menos no índice de inflação e mais na taxa de euforia do mercado de ações (patrimônio coletivo de US$ 17,2 bilhões na soma da Nyse com a Nasdaq). Pois também por aí não há sinais de iceberg pela proa. As bolsas já estão em processo de ajuste baixista por sua própria conta e risco.
Eis que entra em campo uma terceira leitura da mão direita do Fomc do Fed: o indicador explosivo seria o do déficit comercial, já da ordem de US$ 1 bilhão por dia. Déficit atribuído exatamente a uma oferta interna menor que a procura idem. Essa crescente ração suplementar da farra dos importados é que estaria segurando na jaula a temível inflação de demanda. Importação agora returbinada pela desvalorização da moeda única européia.
Resumo da ópera: choques de competição nos mercados, casados com choques de modernização nas empresas, fazem mais pelo crescimento econômico (com estabilidade monetária) que as carrancas intermitentes de Greenspan, ídolo da mídia coisa-preta.





