Joelmir Beting
Joelmir Beting
A expectativa de (des)valorização provoca a (des)valorização que sanciona a expectativa. Em bolsa, isso é racional.
Franco Modigliani, Prêmio Nobel de Economia
Problema ou solução?
Qual é o pânico? A Nasdaq vem acumulando uma rentabilidade média de 57% ao ano desde 1996. Ela pode queimar em bloco um terço disso sem colocar de joelhos o mundo inteiro, Brasil no meio. O ajuste para baixo é uma solução e não um problema.
Problema é o pisca-pisca de uma bomba-relógio da variedade irrational exuberance, segundo Alan Greenspan, o senhor dos mercados. Nada tem de racional, a despeito da lei da expectativa de Modigliani, empresas de informática ou de biotecnologia com valor de mercado acima de 50 vezes do respectivo patrimônio líquido. Ou com relação Preço/Lucro (P/L) em bolsa superior a 250.
Na média da Nasdaq, bolsa digital que concentra as estrelas da nova economia, a relação P/L desfilava a cota 44 no pico de 10 de março. Na véspera do crash de 1929, a coisa estava na cota 33. A geologia da bolsa é a mesma do vulcão: onde há fumaça, há risco de erupção. Os sismógrafos de Wall Street nunca oscilaram tanto como nestas duas últimas semanas de cratera ardente.
E tome indicadores outros para sustentar a tese da catástrofe iminente. Consultorias saem a campo para avisar que a taxa de mortalidade infantil das jovens empresas da Nova Economia é de 74% antes do segundo ano e de 93% antes do terceiro. Qual é a neura?
Exatamente esses são os índices de fracasso das médias e pequenas empresas da velha economia. O Sebrae que o diga. A diferença é de conceito. Na expectativa de (des)valorização das ações da velha economia, os investidores jogam com referenciais consistentes e transparentes: fluxos de caixa, margens de lucro, potencial de vendas, inclusão de mercado, movimentos da concorrência, planos de investimentos, demonstrativos de contas.
Na avaliação das ações da nova economia, quem dá o tom das apostas é, preferencialmente, a expectativa de crescimento futuro da empresa e/ou do mercado. Se expectativa coletiva, investe-se na supervalorização imediata do papel lançado em IPO (oferta pública inicial de ações) para revenda posterior com lucros de Midas. Eis o DNA da irrational exuberance embutida na valorização de 2.245% de uma Amazon.com ainda hoje operando no vermelho.
Mary Meeker, analista de Internet da Morgan Stanley Dean Witter, lembra que 57% das empresas cotadas na Nasdaq on-line trafegam no prejuízo off-line. E o que dizer da imberbe ViroPharma? Fundada há 17 meses, a emergente da biotecnologia já escalou 1.170% na mesma Nasdaq, sem que tivesse lançado, até agora, um único produto...
Secos & Molhados
Paranóia
- Em seu livro Irrational Exuberance, lançado na semana passada, o professor Robert Shiller diz que a volatilidade paroxística das bolsas é também culpa da imprensa. Que faz sensacionalismo, em tempo real, tanto para os espirros de alta como para os engasgos de baixa.
Como é que é?
- Quando as bolsas disparam é especulação. Quando elas desabam é falta de confiança dos mercados nos fundamentos da economia. Quer dizer: a alta é irrrational e a baixa é técnica...
Velha sina
- Entre nós, quando os preços sobem é inflação. Quando eles baixam é promoção. Ou seja: a alta amedronta e a baixa não refresca.
Como sofrem
- Quando a economia vai mal, não se fala em excesso de pessimismo. Quando ela vai bem, só se fala em excesso de otimismo.





