‘‘Aquele que pensa que sabe o que vai acontecer com a Internet deve estar muito mal informado.’’
José Maria de Jesus, moleque de recado (telefonia molecular)
Os dados de ouro
Controlada pela gigante americana MCI Worldcom, a Embratel já controla 80% do tráfego de Internet no Brasil. A vantagem competitiva da empresa foi plantada ainda ao tempo do monopólio estatal. O alcance nacional de seu ‘‘backbone’’ é garantido, hoje, por 23 mil quilômetros de cabos óticos, 24 mil quilômetros de rede digital de microondas e 60 estações terrestres de comunicação via satélite.
A bola da vez na carteira de investimentos da Embratel é o segmento apetitoso da transmissão de dados. Esse mercado cresce 40% ao ano, contra 15% do setor de telecomunicações em geral. A transmissão de dados representa 25% do faturamento da operadora e vai absorver 30% do investimento total do ano, programado para R$ 1,5 bilhão. Ela sabe que uma feroz concorrência vem vindo por aí fungando no seu cangote digital.
Caso da Intelig e da Telemar. Esta última está investindo R 200 milhões em redes de transmissão de dados pela Internet (web hosting). A Telemar já abriu o jogo esta semana nos corredores da Américas Telecom 2000, no Riocentro: vai oferecer hospedagem de alta performance a preços de banana chipada. Ela pretende seduzir a maioria dos provedores para gerar tráfego intenso na rede futura. Começando pelo portal iG de acesso gratuito, do qual é dona de 22,9% do negócio. O Bradesconet é outro parceiro cativo.
A Intelig avisa que vai disputar a transmissão de dados a partir de outubro, preparando-se para a abertura total do mercado em 2002.
Peritos do ramo sustentam que a transmissão de dados suplantará a transmissão de voz na malha de telefonia (fixa e móvel) a partir de 2005. Uma tendência universal. Até porque as TVs a cabo por assinatura já estão fazendo posição no aurífero filão. Caso da NET com o Vírtua e da TVA com o Ajato.
Na Américas Telecom, que termina amanhã, a União Internacional de Telecomunicações (UIT) apresentou seu projeto IMD-2000 International Mobile Telecomunications. Objetivo: estabelecer um padrão tecnológico universal de acesso à infra-estrutura de telefonia fixa, móvel, a cabo e por satélite. Isso fará do celular de terceira geração, plugado na Internet idem, um objeto mágico da multimídia/megamídia, tão ao alcance de qualquer terráqueo em qualquer biboca do planeta.
Os interesses corporativos por dentro dessa padronização tecnológica são telúricos. A primeira briga de foice no escuro, a da definição das faixas de frequência universais, está marcada para maio em Istambul, Turquia. Encontro promovido pela UIT.



Secos & Molhados


- Labirinto
As tecnologias hoje existentes ainda não são compatíveis em escala global. Isso é a negação da lógica da própria Internet: a do império do padrão, sem fronteira e sem bandeira. Comunicação é, sobretudo, compatibilidade.
- Em bloco
A inexistência de sistemas compatíveis fuzilou a Iridium do celular global e esvazia o apetite do GlobalStar. O padrão IMD-2000 da UIT tenta cometer a façanha a partir de 2002. Com a ajuda do celular de terceira geração, o megamídia de mão.
- Um trilhão
Projeção do IMD-2000: o mercado mundial de telecomunicações movimentará US$ 870 bilhões este ano e US$ 1,4 trilhão em 2005. Sendo 33% para equipamentos e 67% para serviços.
- Faz tempo
Integrada por 189 países, a UIT foi fundada em 1865, antes da invenção do telefone. Do seu comitê fazem parte 612 empresas privadas. Além, claro, da Internet Society.

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