Joelmir Beting




‘‘Classificar prioridades e formular programas é fácil. Difícil é balancear interesses e dirigir expectativas.’’
Jacques Rueff (1896-1978), economista francês
De classe mundial
O governo solta na praça, a partir de quinta-feira, uma série de 11 programas setoriais de reestruturação produtiva incentivada e monitorada. Cada programa leva o título de Fórum de Competitividade. Reprodução ampliada e enriquecida das Câmaras Setoriais de
1993, então turbinadas por Dorothéa Werneck.
As Câmaras eram de caráter emergencial e corriam com dois cavalos no mesmo páreo: estabilizar custos e preços nas cadeias produtivas e promover a expansão dos mercados e dos empregos. Os novos Fóruns são de caráter permanente e buscam desenvolver a competitividade de setores industriais específicos para um ‘‘Brasil de Classe Mundial’’, como exalta a exposição de motivos do governo.
Os 11 setores inicialmente contemplados respondem aos quatro critérios de seleção, explica Hélio Mattar, secretário de Política Industrial: 1) capacidade para gerar empregos diretos e indiretos; 2) elasticidade para espalhar fábricas pelo território nacional; 3) competitividade para conquistar e ampliar mercados externos; 4) competitividade para substituir similares importados.
Eis as cadeias produtivas escolhidas: construção civil, construção naval, agroindústria, têxtil e confecções, couros e calçados, madeiras e móveis, higiene pessoal, letroeletrônica, química, turismo e setor automotivo. Os programas serão apresentados hoje ao presidente Fernando Henrique Cardoso pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias.
Na solenidade de quinta-feira será ativado o Fórum de Competitividade da Construção Civil que movimenta 15% do PIB no moderno conceito do ‘‘construbusiness’’. Em maio, estará decolando o programa da indústria têxtil. O último deles, o do setor automotivo, deve entrar em órbita ali pela altura de setembro.
A indústria automobilística aguarda, antes disso, a aprovação de um programa emergencial – o da renovação incentivada da frota sucateada (com mais de 15 anos de uso e de abuso). Esse parto de montanha, que já dura um ano e meio, está remarcado para a semana que vem. Ele terá o reforço, ainda este ano, de uma medida de caráter mandatório e permanente: a lei de inspeção veicular obrigatória, atrelada ao novo Código do Trânsito Brasileiro.
Com ou sem o Fórum de Competitividade, as montadoras voltam a pisar no acelerador das vendas aqui dentro e lá fora. Ontem, em São Paulo, no seminário da revista ‘‘AutoData’’, elas corrigiram, para o alto, suas projeções para o triênio 2001/2002.


Secos & Molhados
Reversão
- Para o mercado de carros novos o pior já passou. As montadoras esperam fechar o primeiro quadrimestre com expansão de 25% na produção, de 15% nas vendas e 12% nas exportações.
Para 2002
- O pico de produção anual do setor (2 milhões) deu-se em 1997. Caiu para 1,580 milhão em 1998 e 1,310 milhão em 1999. Ontem, no seminário da ‘‘AutoData’’, as montadoras projetaram para 2000 o repeteco de 1998. O recorde de 1997 fica para 2002.
Repasse?
- Presidentes das montadoras esperam ‘‘desovar custos’’ nas tabelas de maio. Disseram ontem que perderam em bloco, em 1999, com absorção de custos, R$ 3,6 bilhões.
Renovação
- O setor teme que a reação do mercado engavete o programa de renovação da frota. Lembra que a remoção da sucata rodante não se limita ao aumento de vendas e empregos. Ela ataca problemas de trânsito, poluição e segurança.

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