Joelmir Beting




‘‘O que o dinheiro me dá não é a oportunidade de fazer o que quero. O que ele me dá é a possibilidade de não fazer o que não quero.’’
Júlio Bozano, ex-banqueiro.
Vaquinha mais gorda
O sistema nacional de consórcios, em um Brasil ainda atrofiado pelo crédito bancário mais curto e mais caro do mundo, acaba de dobrar de tamanho na economia do Real. No autofinanciamento dos mercados de veículos, eletrodomésticos e imóveis, os negócios do ramo saltaram de R$ 5,5 bilhões, em 1995, para US$ 11 bilhões nos últimos 12 meses.
Descontada a inflação acumulada no período, temos um crescimento real de 23%. No encerramento, ontem, do 22.º Congresso Nacional das Administradoras de Consórcios, em São Paulo, dirigentes do setor projetaram, para este ano, um aumento nominal de 12%. Algo parecido com R$ 1 bilhão por mês.
O sistema totalizava, em março, 406 administradoras, com 2,8 milhões de consorciados e perto de 750 contemplados. No mercado de veículos novos, de todos os tipos, os consórcios respondem por 27% das vendas totais (contra 52% do crédito direto). Diga-se: nos automóveis, é o crédito menos caro do consumo, quando bancado diretamente pelas montadoras. No segmento de motos, a participação dos consórcios já está em 64%. No setor imobiliário, de maior valor unitário, o sistema conta com 71 mil participantes e 7,6 mil contemplados. Há consórcios para unidades residenciais, comerciais e industriais, com planos para terrenos, construção, reformas e aquisição de imóveis novos e usados.
Flexibilidade. Eis o que Eriodes Battistella, presidente da Abac, entidade nacional do setor, destaca no modelo recortado pelo Banco Central nos últimos anos. Um jogo de cintura que returbinou todo o sistema: 1) autofinanciamento mediante carta de crédito; 2) liberdade de escolha dos bens; 3) prazo de pagamento sem limitação da autoridade monetária; 4) liberdade de transferência do contrato a terceiro, já contemplado ou não; 5) taxas de administração livres e diluídas no prazo de cada contrato; 6) flexibilização do regime de sorteios e de lances; 7) maior poder de barganha com fornecedores de bens.
Eriodes Battistella não tem medo da anunciada ampliação e barateamento do crédito bancário para consumo: ‘‘O que é bom para a economia brasileira é bom para o sistema de consórcios em geral. Na aquisição autofinanciada de bens de alto valor unitário, como imóveis e automóveis, a moeda de troca é a confiança da clientela na manutenção e/ou ampliação da renda futura. Logo, sistema de consórcios também faz parte dessa indústria do otimismo.’’





Secos & Molhados
Acelerando
- Sentada nos dados do primeiro trimestre, divulgados ontem, a Anfavea projeta crescimento de até 20% para o mercado interno de carros novos, este ano. Algo parecido pode ocorrer no ‘‘front’’ das exportações, com embarque de US$ 4,5 bilhões.
Ajustamento
- A reação do mercado favorece a recomposição da margem das montadoras. Mas não a da margem dos distribuidores, ainda reféns de descontos e promoções. Boa parte da clientela já migrou para os carros seminovos.
Renovação
- A cadeia automotiva retira as fichas depositadas no programa de renovação incentivada da frota sucateada (com mais de 15 anos de uso e de abuso). O governo pondera que o baixo retorno social do esquema não compensa o custo da renúncia fiscal pactuada.
Única saída
- O melhor programa de renovação da frota está no congelador planaltino do Código de Trânsito Brasileiro. Chama-se Inspeção Veicular Obrigatória. Se inspeção pra valer.

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