Joelmir Beting




‘‘Em 2010, 3 bilhões de pessoas ainda estarão fora da Internet. Mas não sobreviverá empresa alguma fora dos mercados em rede.’’
Stan Davis, consultor americano
O sexo do anjo
Donos de 32% do PIB mundial e de 73% dos negócios globais da ‘‘nova economia’’, os Estados Unidos não pretendem deixar cair a peteca de ouro da atual Felicidade Nacional Bruta. Prosperidade que tem quase tudo a ver com os ganhos de produtividade das empresas e com os lances de competitividade nos mercados. Subproduto da explosão das tecnologias da
Informação.
Com o mesmo ‘‘status’’ político da guerra nas estrelas, nos tempos bicudos da queda-de-braço com a União Soviética, a ‘‘nova economia’’ mereceu, ontem, um simpósio de gala no interior da Casa Branca de susto. O presidente Bill Clinton serviu-se da fuzarca de Wall Street para cercar-se dos homens mais representativos do ‘‘think thank’’ americano. Além de crachás do primeiro escalão de Washington, compareceram estrelas do mundo corporativo e consultores do campo acadêmico.
Rotulado de Conferência sobre a Nova Economia, o encontro foi ancorado pelo professor Franco Modigliani, 81 anos, Prêmio Nobel de Economia de 1985. Teve como expositor mais paparicado justamente o delator número um da ‘‘irrational exuberance’’ das bolsas agora em estado de (quase) pânico: Alan Greenspan, presidente do Fed, banco central americano,
Feitor do mundo. Resumo da palestra de Greenspan: ‘‘Eu não disse?’’
Pivô do primeiro chiado da bolha da National Association of Securities Dealers Automated Quotation (Nasdaq), o bucaneiro digital Bill Gates também esteve a bordo, dividindo o foco da megamídia plugada na Internet. Entre outros notáveis, as presenças de Amartya Sen (Nobel de Economia de 1998), James Wolfensohn (Banco Mundial) e James Kenneth Galbraith (sim, filho de John).
Franco Modigliani deu o tom do debate inconcluso: 1) a ‘‘nova economia’’ made in USA é o DNA da prosperidade econômica com estabilidade monetária; 2) ela acabou com a inflação de demanda em regime de (quase) pleno emprego; 3) e explica a bolha da Nasdaq, que ainda não estourou; 4) uma ‘‘bolha racional’’, na medida em que a expectativa de valorização produz a própria valorização, que sanciona a expectativa...
Depois dessa, recomendo o livro Irrational Exuberance (pero no mucho), de Robert Schiller, da Universidade de Yale. Lançado ontem mesmo, em Nova York, pela Princeton University Press. O autor esboça os fundamentos da ‘‘nova economia’’: científicos, tecnológicos, econômicos, financeiros, jurídicos sociais, políticos e culturais. E alfineta: descontem-se dela os exageros da mídia.





Secos & Molhados
Quem segura?
- A bolha é das empresas tangidas pelas tecnologias da informação (incluídas as de biotecnologia), escreve Robert Schiller. As mesmas tecnologias exasperam o ‘‘day trading’’ de um mercado que agora opera em tempo real e em todo o mundo.
Sai da frente
- O Nobel Amartya Sen, teórico da exclusão social, arrepiou-se: ‘‘Na ‘‘nova economia’, as mudanças são rápidas e profundas. E intangíveis. Geração nenhuma viveu tamanho trauma.’’
Fundamento
- James Kenneth Galbraith grifou: ‘‘Nos mercados em rede, os ganhos da economia de escala surgem pelo lado da demanda e não pelo lado da oferta. Eles são realmente crescentes. Ainda não entendemos isso.’’
Faltou dizer
- Alan Greenspan não disse: a inflação foi baleada pela produtividade e pela concorrência e não pela austeridade monetária do Fed ou pela neutralidade fiscal de Washington.

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