‘‘Na competição legítima, não são os custos que fazem os preços; são os preços que fazem os custos.’’
Henry Ford (1863-1947), industrial americano
Tecendo empregos
A grande fábrica de empregos, que também produz tecidos e confecções, estréia agora, em abril, o primeiro Fórum de Competitividade Industrial. Em anúncio solene do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Uma cadeia produtiva que vai da cultura do algodão ao modelito fashion, passando pelo parque fabril da fiação, dos tecidos, das confecções, dos aviamentos, das máquinas e equipamentos.
A cadeia têxtil sustenta mais de 1,4 milhão de empregos diretos e indiretos. Espalha-se por todo o território brasileiro, na linha de frente da descentralização industrial. E a golpes de produtividade ou competitividade, tem a faca, o queijo e o vinho na mão para substituir importações e triplicar exportações.
Esse tripé geração de empregos/captação de divisas/integração regional ganhou um ‘‘ranking’’ de 11 ramos industriais que fazem a primeira fornada dos Fóruns de Competitividade. Iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, agora tocado, sem firulas, pelo ministro Alcides Tápias. São eles: têxtil, químico, eletroeletrônico, construção civil, construção naval, turismo, calçados, madeira e móveis, automotivo, higiene pessoal e agronegócios.
Com o formato de Fórum de Competitividade, setor público e setor privado recuperam a experiência positiva das câmaras setoriais de passado recente. Com uma sonora diferença: as câmaras tinham um caráter emergencial; os fóruns têm um conteúdo estratégico, voltado mais para o mapeamento dos atalhos do futuro do que para o rompimento de gargalos do passado.
A indústria têxtil abre a primeira rodada de um programa de competitividade consistente e duradouro, com tratamento diferenciado e favorecido nos campos ainda minados do crédito bancário, do garrote tributário, da inovação tecnológica e do comércio exterior. Algo parecido com política industrial fatiada por setores selecionados a dedo. Como se faz nas melhores economias.
A mudança do regime cambial ajudou a returbinar a cadeia têxtil. De resto, duramente abalroada pela abertura comercial sem aviso prévio na largada dos anos 90. Ou como lembra Paulo Skaf, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit): ‘‘O setor foi torpedeado abaixo da linha d’água pela competição externa predatória.
Foi atingido pelo ‘dumping’ asiático. Perdeu clientes lá fora e mercados aqui dentro. Com a guinada no câmbio e com a reativação da economia, a cadeia têxtil pode crescer até 12%, este ano, totalizando negócios de R$ 38 bilhões. Uma volta por cima.’’


Secos & Molhados
- Reconquista
Nas exportações, a cadeia têxtil avançou 14% no ano passado e ensaia crescer mais 20% este ano. A meta da Abit é embarcar US$ 1,5 bilhão, este ano, e US$ 4 bilhões em 2002. Com a ajuda do Fórum de Competitividade.
- Capacitação
Nos registros da Abit, o setor vai investir US$ 10 bilhões até 2008. Ano passado, US$ 1 bilhão. A nova injeção cobre ampliação, modernização e diversificação.
- Âncora real
A inflação acumula, desde julho de 1994 até fevereiro de 2000, exatamente 80%. No mesmo período, os preços das confecções registraram deflação de 9%. ‘‘Foi a maior âncora setorial da estabilização do real’’, diz Paulo Skaf.
- Muita fibra
O Fórum de Competitividade da cadeia têxtil dá carona à recuperação das lavouras de algodão. A ordem é alcançar a auto-suficiência nacional em 2002. Naquele ano, o consumo interno estará acima de 1 milhão de toneladas.

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