Joelmir Beting
A economia digital ainda está no início do começo do princípio da fase preliminar antes da decolagem.
Juliano Bastide, sociólogo
Na cabeceira da pista
O noticiário dos negócios plugados na Internet está cada vez mais efervescente. Na Telexpo, maior feira de telecomunicações da América Latina, instalada esta semana em São Paulo, os interesses maiores rolam no evento paralelo chamado Interexpo - desfile das tecnologias de acesso e conteúdo da Web.
Respira-se na Telexpo/Interexpo o mesmo espírito de deslumbramento tecnológico que observei, em outubro, na Telecom 99, de Genebra, a feira e o fórum mundiais da União Internacional de Telecomunicações (UIT). Realizada a cada quatro anos, a próxima Telecom, a de 2003, já mudou de nome: Interativa 2003.
Boa sacada. Em 2003, já não mais será a Internet que estará se servindo da telefonia. Será a telefonia que estará absorvida pela Internet. Já então uma Web de banda larga, predominantemente sem fio, por rádio. Dando carona, claro, à televisão digital. O máximo de interatividade com o máximo de velocidade e o máximo de intangibilidade. Interativa, mesmo. Fiquemos no Diário da Web. Microsoft e Cisco Systems deram de se revezar, em Wall Street, no pódio das empresas mais valiosas do mundo e da História. Ambas trafegam na ionosfera dos US$ 550 bilhões cada uma. Algo parecido com cinco General Motors. Ou mais de duas IBM. A Intel já se aproxima desse pódio reservado a empresas com valor de mercado acima de meio trilhão de dólares.
Empresa de banda larga apoiada em satélites, a PanAmSat americana anuncia para 2002 a TV digital exclusiva para PCs da Web. Em São Paulo, a Bovespa confirma, para maio, a inclusão de empresas de TI na nova composição do índice da Bolsa. No espaço deixado pela retirada da Telebrás, entram os títulos da Embratel, da GloboCabo e das novas empresas de telefonia celular.
Em Nova York, gigantes da indústria aeroespacial juntam átomos e bites na criação de um mega-site de B2B para 37 mil fornecedores espalhados pelo mundo, Brasil no meio. Uma infovia para US$ 80 bilhões por ano. Enquanto isso, a indústria brasileira do papel revela que o comércio eletrônico faz explodir a produção do white top liner para revestimento de embalagens industriais, agora famintas de programação visual.
Estudo da A.T. Kearney mostra que os Estados Unidos dominam três quartos dos negócios globais da Internet. A taxa de inclusão popular na Internet já é de 41% nos Estados Unidos, contra 27% na Europa e 21% no Japão. Ou 4% no Brasil. Mas os americanos estão comendo a poeira de europeus e japoneses na telefonia celular de terceira geração.
Secos & molhados
Bola-de-neve
Peritos da UIT estimam que o comércio eletrônico acabará abocanhando um terço dos negócios entre empresas (B2B) em 2003. Sim, em todo o mundo. Novos saltos de tecnologia, (des)regulação e segurança darão conta desse recado.
Infomediários
- Para 2003, a UIT projeta a desintermediação quase total dos negócios de corretagem de serviços. Estarão on-line (pelo B2C) 88% do agenciamento de viagens, 77% da contratação de seguros, 68% do mercado de ações e 54% dos produtos digitalizáveis (discos, vídeos, filmes e softwares).
Logística
- Os produtos físicos das lojas virtuais vão trombar com a deseconomia de escala da logística de suprimentos, estocagem e distribuição capilar. Atacadistas modernos e transportadores courier vão deitar e rolar no clique do e-commerce.
Terceira via
- Antes, o internauta pagava pelo acesso. Agora, o acesso é de graça. Logo mais, vai receber alguma coisa por ele...





