Joelmir Beting
Joelmir Beting
O brasileiro só é otimista mesmo entre o Natal e o carnaval.
Mário Henrique Simonsen (1935-1997), economista
Bolsas por um fio?
O volume atual de negócios na Bovespa despencou do pico de US$ 203 bilhões, em 1997, para US$ 85 bilhões no ano passado. Mesmo com a pirotécnica valorização de 152% no ano passado. Queda ainda maior, proporcionalmente, ocorreu na Bolsa de Buenos Aires: de US$ 26 bilhões, em 1997, para US$ 8 bilhões, em 1999. Caiu para menos de um terço. Na Bolsa do México, no mesmo período, tombo de US$ 84 bilhões para US$ 38 bilhões. Na Bolsa de Santiago, o mesmo fenômeno: de US$ 12 bilhões para US$ 7 bilhões.
O que está havendo? Fuga de capitais externos a partir do crash em cascata na Ásia? Não. Fuga de capitais, sim, mas de empresas e investidores nacionais. O mercado brasileiro e latino-americano desloca-se alegremente para a irrational exuberance de Wall Street.
Antes, pelo atalho das ADRs na Bolsa de Nova York. Agora, também pela emissão de títulos na Bolsa virtual Nasdaq. A primeira, com valorização média de 26% no ano passado. A segunda, guinchada pelas jovens estrelas da Internet, com rentabilidade recorde de 84%.
O desmanche do mercado brasileiro de ações, tal como ocorre no mercado argentino ou no mercado chileno, está sendo precipitado pela privatização (e pulverização acionária) das grandes estatais - exceção da Petrobrás. Vale do Rio Doce e rescaldos da Telebrás são títulos populares em Wall Street. Para onde se encaminham, logo mais, as primeiras ADRs da Petrobrás.
Eis a questão. Há um número cada vez menor de empresas estatais e privadas negociadas na Bovespa. Ano passado, 36 empresas abandonaram a bolsa paulista, por onde transitam 94% dos negócios do País (agora dando carona, por casório já selado, à Bolsa do Rio de Janeiro).
Estudo comparativo da revista AméricaEconomia indica que o problema se agrava com a desregulamentação ainda maior do mercado acionário. Logo mais, investidores brasileiros terão liberdade ainda maior para operar diretamente em bolsas americanas e européias. Os argentinos fazem isso.
A Bolsa de Buenos Aires já se confessa literalmente morta.
Secos & Molhados
Nem todos
- Nem todos os países precisam ter seu próprio mercado de ações, assim como nem todos os países têm suas próprias companhias aéreas. Quem diz isso à revista AméricaEconomia? Peter Wall, chefe de estudos para mercados emergentes do Banco Mundial.
Internet
- Bolsas em extinção? A maioria das corretoras, sim. O mercado digital da Internet é um processo de desintermediação em escala planetária. Especialmente na corretagem de ações, seguros, viagens e imóveis.
Novo perfil
- A Internet está destruindo as Bolsas da Austrália, Nova Zelândia e Cingapura. Elas se transformam em empresas públicas, tocadas por corretores/consultores e não por corretoras/distribuidoras.
Sem rival
- No Brasil, o mercado de ações padece de nanismo crônico.
Ele não consegue competir com a liquidez rentável sem risco da renda fixa mais apetitosa do mundo.





