Joelmir Beting ‘‘Temos de ser um novo profissional de uma nova empresa para um novo mercado dentro de uma nova economia.’’ Douglas Aldrich, diretor da A. T. Kearney. Amazonização O neologismo foi inventado pelos americanos. Amazonização é o processo de substituição de negócios tradicionais por negócios digitais na atual explosão do comércio eletrônico pela Internet. Referência ao estrondoso sucesso comercial da ainda deficitária Amazon.com nos mercados globais de livros, discos e vídeos. Num simples clique, a megaloja virtual supera em vendas físicas qualquer fábrica ou qualquer cadeia de varejo do ramo. Vendas virtuais de coisas físicas e de produtos digitais. Um lance mágico de e-commerce que o fundador da Amazon.com., o hoje bilionário Jeff Bezos, queria chamar de Abracadabra.com. Livros, discos e vídeos ainda são feitos de átomos e não de bites. O estoque e a entrega são físicos. Mas já corre por fora dessa raia o transporte on-line das respectivas versões digitais de padrão MP3. Estrela maior da Internet, um terço maior que a e.Bay.com ou duas vezes maior que a Etoys.com, a Amazon.com entrou no ar há quatro anos para ‘‘infomediar’’ exclusivamente livros. O mercado editorial tremeu nas bases e o varejo tradicional do setor quase veio abaixo. O megawebsite instalado em Seattle, pátria da Microsoft e da Intel, da Boeing e dos grunges, ensaiou azedar a vida de todas as livrarias e quiosques do insaciável mercado americano. Livros mais baratos, catálogos globais, entregas em domicílio... O negócio foi, de fato, amazonado da noite para o dia. O que fizeram a maior livraria dos Estados Unidos e a maior editora da União Européia, Barnes & Noble e Bertelsmann? Amazonaram-se em parceria no megasite ww.barnesandnoble.bn.com e foram à luta. No Natal passado, venderam on-line 1,8 milhão de livros. Amazonar para não perder o bonde do e-commerce é a palavra de ordem das grandes organizações de varejo em todo o mundo, Brasil no meio. Até porque as fábricas também já estão participando dessa mesma desintermediação dos negócios em geral. Vide o anúncio da General Motors e da Ford no mercado global de autopeças e componentes. Ou o lançamento, semana passada, do maior website para o agrobusiness americano: parceria da Cargill, DuPont e Cenex. Um empório on-line onde se pode comprar adubos e máquinas, vender terras e batatas e contratar créditos e seguros. No Brasil, a nova amazonada do Pão de Açúcar de Abílio Diniz. A maior cadeia brasileira de supermercados lança na praça virtual o site Amélia.com. Sim, tem a ver com a Amélia de Ataulfo Alves e Mário Lago. O megaempório digital vai negociar produtos e serviços (domésticos) em geral. Uma dona de casa chipada, que tudo sabe, tudo pode, tudo faz, tudo compra e nada chora. A própria Amélia. Paradoxo - Ainda deficitária? Do alto do sucesso comercial na Web, a Amazon.com vem perdendo dinheiro desde que foi inventada em 1996. Perdas de US$ 381 milhões em 1999. Onde? No suprimento, na estocagem e na distribuição dos produtos. Armadilha - Negócio virtual, uma ova! Entregar com presteza livros e discos reais em qualquer parte do mundo exige a logística da velha distribuição de mercadorias. Com toda a deseconomia de escala do negócio. Como é que é? - Na economia real, o valor está na escassez. Na economia digital, o que vale é a fartura em rede. Com um pé em cada canoa, a Amazon.com não consegue, com os ganhos da segunda, cobrir as perdas da primeira. Virou mico? - Calafrios em Wall Street. O valor de mercado da Amazon.com caiu, em 1999, de US$ 37 bilhões para US$ 29 bilhões. Num ano em que a Nyse subiu 26% e a Nasdaq 84%.

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