Joelmir Beting ‘‘Sucesso nos negócios da Internet é apenas uma questão de sorte. Você discorda disso? Pergunte a qualquer fracassado dentro dela.’’ Malcolm Forbes Jr., editor americano Uma bola-de-neve O comércio eletrônico pela World Wide Web incrustada na Internet dividiu com a telefonia celular (vestida de PC de mão) todas as atenções dos 230 mil executivos que transitaram pela maior feira de informática e telecomunicação do mundo, a CeBIT 2000, encerrada ontem em Hannover, Alemanha. Projeções do corpo técnico da CeBIT: o comércio eletrônico em todo o mundo tende a crescer, em média, 36% ao ano. Ou seja: vai dobrar de tamanho a cada dois anos, exatamente. Nos Estados Unidos, em diversos mercados ou produtos, as vendas pela Web já ultrapassam as vendas pelas lojas do ramo. Algo parecido ronda a corretagem de ações, seguros, viagens e imóveis. As novas tecnologias apresentadas esta semana em Hannover tendem a acelerar ainda mais a difusão do comércio eletrônico em geral. Caso da telefonia celular plugada, doravante, na Internet. Caso da própria Internet, a um passo da massificação da banda larga. Ou do alastramento do protocolo WAP, o da rede sem fio. O relatório ‘‘Global Online Retailer’’, distribuído pela Ernst & Young na CeBIT, desenha cenários para o comércio eletrônico de 2003, 2006 e 2009. E não deixa por menos: em 2007, o comércio global pela Internet (ampliada e melhorada) estará movimentando, em todo o mundo, mais da metade da produção física de bens e serviços. Algo equivalente, hoje, a US$ 17 trilhões. A Forrester Research contenta-se com US$ 3 trilhões para 2003. Ainda nas dores do parto, o comércio eletrônico desfilou em Hannover os novos aplicativos para os quatro galhos da mesma árvore: o B2B, o B2C, o C2B e o C2C. Parece identificação de mísseis nucleares da Otan espetados na direção de Saddan. Em inglês, B é ‘‘business’’ do fabricante ou fornecedor. C é o consumidor on-line e 2 é a simplicação de ‘‘to’’ (preposição para). O B2B é o business-to- business, negócio direto de empresa para empresa. Já predominante nas cadeias produtivas modernas, como a dos próprios bens de informática. Exemplos da Cisco e da Oracle. O B2C é a transação em rede da empresa para o cliente. Caso da venda de livros e até de automóveis pela Web. Na contramão, do consumidor para o fornecedor, surge o C2B, ainda acanhado, pedindo passagem. Literalmente, compra de passagens aéreas por lances oferecidos pelos viajantes plugados na pioneira Priceline.com ou de eletrodomésticos pela clientela on-line dos fabricantes. E o C2C, de consumidor para consumidor, é o das transações de serviços e produtos (usados) em rede e o dos leilões virtuais desbravados pelo site e.Bay.com americano. Secos & Molhados Ficou fácil Pesquisa do Gallup: 72% dos internautas americanos juram que a Internet melhorou a qualidade de vida deles. Na família, no trabalho, no estudo, no lazer, nas viagens e no consumo. Ficou grande Pesquisa da Ernst & Young: 1 em cada 2 famílias americanas tem micros em casa. Uma em cada três está na Internet. Metade das famílias já plugadas faz compras pela rede. Nova onda A Internet de acesso entregou o bastão de ouro à Internet de conteúdo. Uma terceira onda aproxima-se: a valorização do conteúdo de pessoas físicas com site próprio na Web. A lógica da rede é deletar intermediários... Ainda é luxo Pesquisa do Ibope: internautas brasileiros somam 3,3 milhões. Está havendo desaceleração no crescimento da Web. Fator inibidor: o micro ainda é luxo. O comércio eletrônico aciona apenas 1 em cada 7 internautas.