Joelmir Beting




‘‘Quem diz que ganhar ou perder não faz diferença, certamente já perdeu.’’
Martina Navratilova, ex-tenista profissional.
Um novo mercado
A bordo de 23 corretoras credenciadas, perto de 18 mil investidores brasileiros estão operando diariamente no pregão on-line da Bovespa. O sistema, rotulado de Home Broker, completa agora um ano de carreira e já movimenta mais de 35 mil negócios por dia, no valor médio diário de R$ 8,7 milhões. Outras 21 corretoras estão pedindo passagem para um negócio que ensaia responder por 10% do movimento total da Bovespa. Quando? No ano que vem.
Nas águas quentes da Internet, o mercado físico de ações prefere ter no pregão on-line um aliado e não um inimigo. As novas tecnologias do e-trade estão ampliando a capacidade operacional da bolsa, acelerando a velocidade das transações, melhorando a qualidade da intermediação, robustecendo a democratização das informações e vitaminando a popularização do mercado.
Por exemplo: a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia, Clearing da Bovespa, acaba de ativar seu site na Internet (www.cblc.com.br). Os investidores podem fazer consultas sobre a posição em custódia no momento e checar demonstrativos financeiros, procedimentos operacionais e informações sobre produtos e serviços. Em fevereiro, a CBLC tinha em custódia ativos de R$ 138 bilhões. O valor de mercado de todo o estoque de ações das empresas na Bovespa estava em torno de R$ 390 bilhões.
Outra boa pedida do gênero: a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), xerife do mercado, decidiu facilitar o lançamento de ações das novas empresas brasileiras de Internet – antes que todas elas, em revoada, joguem a âncora na Nasdaq americana. A nova abertura vale igualmente para empresas estrangeiras aqui desembarcadas. Caso, agora, da simplificação do processo de lançamento, no mercado brasileiro, dos chamados Brazilian Depositary Receipts (BDRs), no mesmo figurino dos ADRs emitidos por empresas brasileiras no mercado americano.
Por um cochilo atribuído ao aprendizado coletivo da Internet, o Brasil só admitia BDRs para empresas com mais de 3 anos de vida e com teto de emissão equivalente ao patrimônio líquido. Pois justamente as empresas de Internet, na grande maioria, têm patrimônio líquido nanico e menos de três anos de existência. Entre as recém-nascidas empresas brasileiras de Internet com grande potencial em bolsa, já estudam a abertura do capital e a emissão de títulos em São Paulo (e/ou Nova York) os sites Submarino.com e Amélia.com (Pão de Açúcar) e os portais UOL, iG e Globo.com.


Secos & Molhados


Queda-de-braço
- Para combater os cliques da Nasdaq, bolsa virtual, as grandes bolsas do mundo lançam um braço digital na Internet e abrem pregão lateral exclusivo para as empresas de tecnologia (atuais e futuras).
Londres ataca
- Com 266 anos de estrada, a Bolsa de Londres ensaia transformar-se em empresa de capital aberto (espeto de ferro em casa de ferreiro). E inaugura o bloco high-tech chamado Techmark. Que dará carona ao Neuer Markt da Bolsa de Frankfurt.
Espalhando
- A Bolsa de Paris pega a onda com o Nouveau Marché. A de Madri aciona o Nuevo Mercado. E a de Tóquio estréia o Mothers. Apelido carinhoso do seu Market for High Growth and Emerging Stocks.
Pela tríade
- Posseira do mercado virtual, a Nasdaq americana instala em Londres a Nasdaq-Europa e, até junho, em Tóquio, a Nasdaq-Ásia. Com três sócios: Softbank na Ásia e os fundos de ‘‘venture capital’’ de Vivendi e Murdoch na Europa.