Joelmir Beting ‘‘A economia virtual não é diferente da economia real. Na Internet, só vai sobreviver quem tiver lucro. A Nasdaq espera, mas não muito.’’ Stephen Case, presidente da America On Line (AOL). Ovo de Colombo.com São Paulo hospedou esta semana o astro da Internet Jerry Yang. Fundador e operador a quatro mãos do site de busca Yahool, o mais navegado do universo digital da Web, Jerry Yang, 31 anos, divide com David Filo, 33 anos, a pilotagem de um negócio virtual que vale, hoje, em bolsa, perto de US$ 100 bilhões. Ou quase duas General Motors, maior corporação industrial do planeta e da História. A comparação não deixa de ser surrealista. A Yahoo! é a única gigante da Nova Economia movida exclusivamente a bites. O transporte de bites não precisa de caminhão, trem, navio ou avião. Para dar a volta ao mundo, em menos de um segundo, precisa de um clique para suplantar os três fundamentos do Universo: o do tempo, o do espaço e o da massa. O site de Yang e Filo não trabalha nem mesmo com produtos digitais. Contenta-se com serviços digitais da rede para a rede. Uma sonda on- line que permite a todo internauta localizar qualquer agulha no crescente palheiro do cyberspace. A 512 estudantes de Administração da FGV-SP, Jerry Yang disse que a Yahoo! nada tem de especial – exceto o toque genial, cinco anos atrás, de ter colocado em pé o maior ovo de Colombo dos já biliardários negócios da Internet. O sistema de busca ou de radar da Yahoo! democratizou a rede tanto quanto o Windows da Microsoft popularizou o micro. Rei Midas da Nova Economia, a caminho de se transformar no primeiro trilionário pessoa física da História, Bill Gates reconhece que, sem a sacada de Yang e Filo, em 1996, a Internet que hoje incensamos (ou tememos) estaria com pelo menos três anos de atraso. O que seria um baita atraso para um negócio que se renova tecnologicamente a cada ano e meio e para um mercado que agora dobra de tamanho em menos de um ano. Jerry Yang admite que o filão da Yahoo!, garimpado diariamente por um em cada três internautas do planeta, já está no papo. O negócio, agora, é fazer posição também no mundo físico da economia real de negócios afins. A empresa está de olho gordo na Disney, não esconde o flerte com a Microsoft e desconversa sobre o assédio sexual de Murdoch & Cia. Afinal, diferentemente da Amazon, ainda no vermelho, a Yahoo! dá lucro. Um retorno pirotécnico de 40% sobre o faturamento. Em tempo: nascido em Taiwan, Yang naturalizou-se americano, trocou o primeiro nome de Chia-Yuan para Jerry, sem abrir mão do sobrenome Yang que, em chinês, significa oportunidade: ‘‘Yes, my name is Jerry Opportunity.’’ Secos & Molhados Banda larga - A Internet de amanhã está para a Internet de hoje assim como o automóvel 2000 está para a carruagem sem cavalos de 1900. Vem aí a banda larga (broad band) e o acesso pela rede sem fio (Web mobile ou wireless). Nova explosão - A banda larga multiplica a capacidade, a resolução e a velocidade da Web. O sistema explodirá de vez na vertical da tecnologia e na horizontal da economia. Ou da sociedade. Dominante - A rede de padrão Wap (Wireless Application Protocol) é uma tendência dominante. O celular abrirá o caminho e o rádio on-line (27 vezes mais veloz ou mais capaz que a telefonia sem fio) tomará conta do negócio. Já começou - A briga pela ‘‘pole position’’ da Internet sem fio mobiliza no Brasil dezenas de empresas nacionais e estrangeiras. Afinal, o Wap espalhará a Web para além dos limites do micro. O número de internautas brasileiros quintuplicará em três anos.