Joelmir Beting ‘‘Brasil, mostra tua cara! Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio?’’ Agenor de Miranda Araujo Netto (1957-1990), roqueiro Cazuza Fomos descobertos? Para a recepção do turismo internacional, o Brasil tem como principal ponto-de-venda a semana do carnaval. Espécie de mercado cativo, programável, com clientela fiel na América Latina, nos Estados Unidos e na União Européia, pela ordem. Combina-se a folia do carnaval com o pico do verão tropical. O problema começa na Quarta-Feira de Cinzas. Para o restante do ano (exceção recente do réveillon no Rio de Janeiro), o Brasil não está sendo vendido. Continua simplesmente comprado. Não temos promoção externa do turismo verde-amarelo. Assim como não temos cultura de badalação de marcas globais. Não sabemos sequer fazer propaganda de café brasileiro. Perdemos de goleada, em meio mundo, para o café da Colômbia e o café da Guatemala. Com Caio Luiz de Carvalho no manche, a Embratur bem que vem tentando cacarejar nossos ovos em meio mundo. Falta-lhe verba digna do desafio. Gastar em promoção externa US$ 3 milhões em 1995 ou US$ 6 milhões em 1999 é brincadeira perto dos US$ 80 milhões por ano investidos em propaganda internacional por duas ou três ilhotas do Caribe. Ano passado, tempo de sinistrose nacional, o aperto orçamentário da União cortou em 30% o minguado caixa promocional da Embratur. Em certos gabinetes planaltinos, o esforço de marketing ainda é lançado como despesa a fundo perdido e não como investimento com retorno garantido. Ainda hoje, investimentos da Petrobrás em nova refinaria desembarcam em Brasília na categoria de déficit público... Sem brincadeira. ‘‘Se viajar é sua paixão, o Brasil é o seu destino. ’’ Eis o slogan da campanha que a Embratur vai desencadear pelo mundo afora. Ela espera descolar, sem remorso palaciano, uma verba de US$ 30 milhões para este ano do Brasil 500. Metade para promoção interna e metade para propaganda externa. E por que o BNDES não abre uma linha de financiamento para os operadores nacionais empenhados em brigar pelos turistas lá fora? No processo de desregulamentação (ou descartorialização) da aviação comercial brasileira, a Embratur encaixa outra demanda sob medida: um sinal verde para os vôos charters no País. Na União Européia e nos Estados Unidos, os vôos charters dominam de 55% a 65% do turismo alado. Aqui no Brasil, tarifas mais caras do mundo competitivo, os charters, pedindo desculpas, não passam de 7%. O turismo no Brasil obriga-se a comprar briga em dois campos minados: com o governo aqui dentro e com o mercado lá fora. Um mercado calibrado, este ano, para US$ 640 bilhões. Descobertos? - Sim, por Pedro Álvares Cabral há meio milênio. Mas ainda não fomos descobertos pelo mercado turístico global. Estamos explorando menos de um décimo do nosso potencial. Decolando - Nos últimos cinco anos, o desembarque anual de estrangeiros saltou de menos 2 milhões para perto de 6 milhões. Pela nova metodologia da Organização Mundial de Turismo (OMT). Uma covardia - Caio Luiz de Carvalho descarta a comparação do Brasil com o México (mercado receptivo quase três vezes maior que o nosso). Dos 21 milhões de visitantes em 1999, nada menos de 92% vieram do vizinho Tio Sam. Maior mercado emissor do mundo. E na Europa? - Igualmente não é justo comparar o Brasil com França, Espanha e Itália. Nesse trio de ferro do turismo, 84% dos visitantes estrangeiros têm passaporte europeu.

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