Joelmir Beting ‘‘O homem de negócios é um marido que desejaria divertir-se tanto em suas viagens de trabalho quanto a esposa imagina que ele se diverte.’’ Ann Landers, colunista americana Ninguém é de ferro A guinada no câmbio não chegou a ser faturada pelo turismo no carnaval passado. A coisa já estava programada. Houve menos um ingresso adicional de turistas estrangeiros e mais um recesso radical dos brasileiros com passaporte visado para os Estados Unidos, preferência nacional. Em Nova York, o sumiço dos brasileiros compristas na brecha do carnaval foi de 70%. No ano todo, 62%. Para o carnaval 2000, a fatia estrangeira ensaia um aumento de 35% sobre a folia jururu de 1999. No Rio de Janeiro, hotéis de quatro e cinco estrelas esperam de hoje ao dia 9 uma taxa de ocupação superior a 95%. Maior que a do réveillon pirotécnico, que emplacou 93%. Presidente da Embratur, Caio Luiz de Carvalho, estima para todo o ano, em todo o País, uma recepção de quase 6 milhões de estrangeiros (contra menos de 2 milhões em 1994). O certo é que o poder de compra do visitante movido a dólar cresceu 50% desde o desmanche da banda cambial. Os argentinos dolarizados só não tomaram o litoral brasileiro de assalto porque estão vivendo, em casa, um arrastado período de vacas magras. Com taxa de desemprego exatamente o dobro da nossa. Caio Luiz de Carvalho lembra que também o turismo interno deve crescer este ano: ‘‘Parece que a sinistrose já passou. Temos condições de projetar para 2000 uma movimentação doméstica de 35 milhões de brasileiros. O setor apruma-se para gerar negócios diretos e indiretos de US$ 40 bilhões, sustentando mais de 5,2 milhões de empregos. Penso que até 2003 estaremos superando as metas da Política Nacional de Turismo (PNT). O turismo interno leva jeito de furar a barreira dos 50 milhões.’’ Rio de Janeiro e Nordeste lideram o ‘‘mercado de verão’’, com pico no carnaval. Há uma corrida de investimentos em infra-estrutura turística nas duas regiões. A Secretaria Especial de Turismo da Cidade do Rio de Janeiro, tripulada por Gérard Bourgeaiseau, mapeou 1.638 recursos turísticos na cidade. Ela enquadra no chamado Plano Maravilha (o plano diretor do turismo do Rio) a exploração assistida desse imenso potencial. A cidade recepcionou, em 1999, o recorde de 7 milhões de visitantes (dos quais, 2 milhões de estrangeiros). O secretário Gérard Bourgeaiseau destaca dois pontos: 1) está crescendo no Rio também o turismo de negócios, que é a festejada praia de São Paulo; 2) os índices de aprovação do Rio pelos visitantes subiram, ano passado, para 91% entre os estrangeiros e para 97% entre os brasileiros. Pois é. SECOS & MOLHADOS Reversão - Em 1996, pico da euforia cambial antes da crise global, nosso mercado de pacotes turísticos esteve assim repartido: 29% para destinos brasileiros e 71% para destinos estrangeiros. Em 1999, a reversão: 62% para dentro e 38% para fora. Rede em ação - As agências de viagem estão perdendo mercado não para o câmbio ou para a crise; e, sim, para a Internet. O êxodo da clienetla internauta ainda nem começou, mas já causa arrepios na intermediação do turismo. Novo perfil - Presidente da ABAV, entidade nacional do setor, Goiaci Alves Guimarães, dá a pista: o agente de viagens terá de evoluir para consultor de uma clientela cada vez mais individualizada. Uma onda - Está escrito. A nova economia dos bites promove a ‘‘desintermediação’’ de mercados opulentos no setor de serviços: viagens, ações, seguros, imóveis, automóveis...

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