Joelmir Beting
Os homens lutam com mais bravura pelos seus interesses do que pelos seus princípios.
Napoleão Bonaparte (1759-1821), imperador francês.
Vespeiro bancário
Se banco estrangeiro ficar dono do Banespa, no leilão de maio, estará consumada a desnacionalização do setor bancário brasileiro. Os bancos de fora, a partir de então, estarão controlando mais da metade dos ativos financeiros privados do Brasil. Com a aquisição do Bozano, Simonsen pelo espanhol Santander, a participação dos bancos estrangeiros no mercado brasileiro já passa de 40%. Em 1994, a fatia deles não chegava a 10%.
Assinado: João Vaccari Neto, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e vice-presidente da Central Única de Trabalhadores (CUT). Para o dirigente sindical, a hipótese da alienação do controle nacional do melindroso setor bancário constitui um sério complicador político para a privatização do Banespa. O Congresso, segundo ele, vai querer interferir no negócio. Com o toque final: Já imaginou se o Banespa fosse um bancão mineiro?
Desnacionalização à parte, não se pode combater a privatização dos bancos estaduais. Transformados em Casa da Moeda de governadores ligeirinhos, foram obrigados a financiar a fundo perdido obras públicas sem lastro orçamentário. Tiveram de bancar a gastança municipalista de prefeitos mão de gato. Fechando a roda da fortuna, caíram nas malhas dos empréstimos eleitoreiros, enriquecendo empresários endividados e caloteiros.
Nessa empreitada irresponsável, de origem palaciana, o Banespa foi campeão. Primeiro, pelo tamanho dos seus cofres. Segundo, pela excelente qualidade operacional do banco estatal, construída ao longo do tempo por funcionários competentes e dedicados. Na malversação desse patrimônio público, o Banespa foi vítima e não réu.
A verdade é que ainda está para nascer o estadista que não mais se atreveria a meter a mão num Banespa já devidamente saneado, com seus R$ 25 bilhões de ativos de puro caixa e seu quadro de funcionários enxugado em 43% desde 1995. Seria muita ingenuidade política devolver o Banespa afiado aos governantes da vez. Banco social já existe em São Paulo: é o Nossa Caixa.
Se a privatização não deve ter remorso, a desnacionalização do Banespa são outros quinhentos por cento. O assunto já transita pelos gabinetes planaltinos. Há quem proponha, no Banco Central, uma repensada geral nas regras que hoje patrocinam a invasão estrangeira no mercado bancário. Afinal, ainda não se viu banco estrangeiro disputando o mercado brasileiro com créditos melhores a custos e juros menores. Um choque de competição de fora para dentro já observado em todos os demais setores da economia. Até mesmo na fabricação e franquia de pão de queijo.
Secos & Molhados
Escalada
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- Engolindo o Bozano, Simonsen, o Santander dá um chapéu no Sudameris, no Citibank, no HSBC, no Safra e no Boston e desponta em quinto lugar no ranking brasileiro. Se comprar o Banespa, baterá o ABN-Real, o Unibanco e o Itaú, ficando atrás só do Bradesco.
Trio de ferro
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- O pódium, por enquanto, é de três bancos brasileiros. O Bradesco estoca ativos de R$ 73,5 bilhões. O Itaú, R$ 52,4 bilhões. O Unibanco, R$ 32,4 bilhões. O maior estrangeiro, o ABN-Real, encaixa R$ 28,2 bilhões.
Sem medo
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- A economia capinanceira do Brasil fez do setor bancário um negócio privilegiado. Nossos grandes bancos, líquidos e sólidos, ganharam os tubos no ano passado apostando na desvalorização do real. Sem patriotismo.
Diferença
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- Pelo sim, pelo não, é bom recepcionar o debate ideológico que pega carona no Banespa com esta reflexão de Elie Wiesel, Prêmio Nobel da Paz: O patriota é aquele que ama a pátria. O nacionalista é aquele que odeio o mundo.





