‘‘Aquele que pensa que sabe o que vai acontecer no Brasil deve estar muito mal informado.’’
Alan Touraine, sociólogo francês
Apostas no gigante
Pesquisa da Simonsen Associados: o setor privado projeta aumento de 13% nos investimentos produtivos em 2000. Algo próximo de US$ 112 bilhões. Dinheiro suficiente para turbinar um PIB de 3%, nos cálculos do consultor Harry Simonsen Jr. Com a ressalva: fusões, incorporações e privatizações não entram nessa conta.
Pesquisa do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), clube dos 300 maiores bancos do mundo, com sede em Washington: o fluxo líquido de capitais externos privados (de múltis, bolsas, fundos e bancos) deve totalizar, este ano, US$ 40 bilhões no Brasil. Isso equivale a 22% do total previsto para os 30 maiores países emergentes.
Pesquisa da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais (Sobeet): os investimentos diretos das transnacionais ensaiam reprisar, este ano, o recorde histórico de US$ 30 bilhões registrado em 1999. No caso, dependendo do sucesso delas nas privatizações da energia e do Banespa. Nos 66 meses do Real, as transnacionais investiram aqui nada menos de US$ 95 bilhões.
Pesquisa da consultoria A. T. Kearney, divulgada anteontem em Londres: o Brasil é o quarto mercado do mundo para a alocação de capitais produtivos – depois dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e China. O México aparece em 7º lugar e a Argentina em 19º. Foram ouvidos os executivos das mil maiores empresas globais dos Estados Unidos, União Européia e Ásia. Entre os americanos, o Brasil ficou em primeiro lugar.
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) não deixa por menos: para 64% dos industriais brasileiros (dois terços), o pior já passou. A economia nacional deve levantar a crista a partir deste ano.
Uma retomada pela base do investimento e não, ainda, pela ponta do consumo. A perspectiva é de prosperidade econômica com estabilidade monetária. O tal de crescimento sustentável.
O resgate da confiança interna e externa no gigante ainda bêbado deve ser creditado ao Plano Real. Ele expulsou do Brasil a monstruosidade da indexação paroxística, concentradora de renda. Bastou essa reengenharia monetária, centrada na URV, para acabar com a inflação dita inercial. Façanha erroneamente atribuída por nove em dez economistas à famigerada âncora cambial.
A retomada do crescimento com estabilidade monetária deveria ter ocorrido a partir de 1995. Ela foi sabotada pela fuzarca política das reformas e pelo contágio intermitente das crises globais do México, da Ásia e da Rússia. Sem contar a sinistrose armada há exatamente um ano pela imposição do câmbio flutuante. O que era uma solução, foi trombeteado como uma catástrofe.




Secos & Molhados
Não acabou
- Ainda não foi desta vez que o capitalismo morreu de indigestão financeira. A tigrada asiática dá a volta por cima e não mais vai erodir as bases do Japão e da China. O fluxo líquido da China, segundo o IIF, vai igualar o do Brasil: US$ 40 bilhões.
Às compras
- Reator da economia global, o comércio de bens e serviços ensaia recuperar, em 2000, a média anual de crescimento do período dourado de 1990/97, garante a OMC: 7,6%. Em 1998/99, a coisa ficou pela metade: 3,7%.
Transfusão
- Nos cálculos do IIF, a transferência de capitais produtivos das transnacionais para o Terceiro Mundo, nas asas da globalização, também leva jeito de retomar a média anual de 1990/97, US$ 490 bilhões.

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