‘‘Na economia digital, o valor crescente das coisas está na fartura e não na escassez. Para a rede, o que vale é o domínio do padrão.’’
Brian Arthur, economista americano
Primeiro trilionário?
QQuanto vale, em carne e osso, o americano William Henry Gates III, 44 anos, Bill para o mundo? Vale hoje exatamente 787,6 milhões de ações da Microsoft. Ou 19,8% do valor de mercado da empresa que fundou em 1975, juntamente com Paul Allen. De sobremesa, Bill Gates vale investimentos reprodutivos diversos em outros negócios.
Para saber quanto vale ‘‘o maior empreendedor do século’’, maior que Henry Ford (1863-1947), Sam Walton (1918-1992) ou Akio Morita (1921-1999) é só calcular sua fatia PF de quase um quinto no capital social da Microsoft – cujo valor de mercado aproxima-se de US$ 580 bilhões. Yes, Gates Inc., vale US$ 115 bilhões, posição de 31 de dezembro. Uma fortuna pessoal maior que a do PIB de Portugal (US$ 88 bilhões). Ou quase o dobro do valor de mercado da gigante Ford (US$ 62 bilhões).
Os americanos divertem-se em discutir, nos lares e nos bares, se Bill Gates seria, igualmente, ‘‘o americano mais rico da História’’. A resposta aparece no livro Os 100 Mais Ricos (de todos os tempos), de Michael Klepper e Robert Gunther. Os autores armaram uma base de comparação da fortuna sabida de cada membro do ‘‘ranking’’ com o PIB americano da época, tudo a dólar de setembro de 1999. A metodologia é discutível, mas o parâmetro é pelo menos original.
Por esse critério, Bill Gates não é o primeiro. Seguinte: ele já embolsou o equivalente a 1/102 do PIB de US$ 9,6 trilhões. Perde para John Rockefeller (1839-1937), com 1/65, e para Cornelius Vanderbilt (1794-1877), com 1/87). O detalhe: Bill Gates ainda está a meio caminho de seu pé-de-meia chipado. E o valor de mercado da Microsoft cresceu 10 vezes desde 1995. Nessa toada, de 59% ao ano, a dona de 73% do software mundial alcançará perto de US$ 5,5 trilhões em mais cinco anos. Ou seja: Bill Gates ficaria dono de US$ 1,1 trilhão no Natal de 2004. Aos 49 anos, um trilionário em dólar!
Acusada de truculência monopolista, a Microsoft tromba com o governo americano – que propõe subdividir a empresa em pelo menos três companhias, agora que Gates abre também os cotovelos nos conteúdos da megamídia digital. O próprio Gates já está sendo sondado para abrir o próprio capital pessoal em bolsa.
Como é que é? Sim, vem aí a chamada ‘‘titularização dos indivíduos’’. No caso, profissionais de sucesso em qualquer campo, do jogador de futebol americano ao pesquisador do genoma humano, passando pelos jovens Midas da Internet. A coisa começou pelo roqueiro David Bowie, na Bolsa de Nova York. Ele vendeu, em meia hora de pregão, toda uma emissão de ações de US$ 55 milhões. O caro leitor apostaria dinheiro no valor intangível de um Gates Inc.?




Secos & Molhados
Stock options
- Participação nos lucros é apelido. A Microsoft remunera executivos e pesquisadores com o ouro em pó das ações que emite. Mais de 1.200 deles desfilam patrimônio superior a US$ 10 milhões. E 115, acima de US$ 100 milhões.
Para dentro
- Bill Gates delegou o comando da empresa a Steve Balmer e recolheu-se, na semana passada, ‘‘ao interior da companhia’’. Fazendo o quê? Cuidando, outra vez, da ‘‘arquitetura dos softwares’’. Nas horas vagas, o planejamento estratégico.
Redefinição
- No ambiente da Internet, a única coisa permanente na vida das empresas é a redefinição cotidiana de métodos, formatos e objetivos, ensina Gates no livro A Empresa na Velocidade do Pensamento (Companhia das Letras).
Paradigma
- A chamada Nova Economia dissemina por toda a sociedade, em todo o mundo, a materialização de um antigo sonho do bicho-homem: o da valorização extremada do capital humano no processo econômico.

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