Joelmir Beting
Com a estréia da Internet de banda larga, os negócios da Web não mais vão dobrar em um ano. Vão dobrar a cada seis meses.
Douglas Engelbart, 74 anos, inventor do mouse
Os novos reclames
Com crise ou sem crise, a indústria da propaganda desfila novo carro-chefe do investimento publicitário no Brasil: as empresas de Internet. Pelo cheiro da brilhantina, elas devem responder em bloco, ano que vem, por uma fatia de R$ 650 milhões, algo parecido com 4% do bolo nacional de R$ 16 bilhões no ano que termina.
Profissionais do mercado dizem que a publicidade da Internet (não confundir, por enquanto, com publicidade na Internet) vai crescer para o alto e para os lados: maior empenho de verba por anunciante do ramo e maior número de anunciantes na parada. Até porque a competição paroxística é a marca registrada dos negócios da Web no Brasil e no mundo.
A retardatária America Online (AOL), maior provedor mundial de acesso e conteúdo, investiu em propaganda, neste fim de ano, nada menos de R$ 22 milhões, nas estimativas do mercado. O que forçou a dona do mercado brasileiro, a nacional Universo Online (UOL), a desembolsar, no mínimo, R$ 10 milhões nesta arrancada natalina.
No trimestre, as empresas de Internet devem ter investido em propaganda, promoção e merchandising perto de R$ 130 milhões. Muito ou pouco? Tanto quanto a verba coletiva da guerra da telefonia no mesmo período. Já imaginaram o que é disputar no grito um Papai Noel com 2,1 milhões de celulares no trenó?
A verdade é que a indústria da propaganda não tem do que se queixar de 1999, o ano do bug mental dos catastrofistas empedernidos do carnaval da perplexidade nacional. Nos cálculos do Grupo de Mídia, o investimento publicitário do ano deve ter crescido 7% em termos reais (deflacionado pelo IPCA de 9%). Para o ano 2000, o da grande virada do Brasil (análise ou torcida?), há quem aposte em crescimento real de 12% (para um IPCA de 6%).
Dezembro registra uma sobremesa atípica: a publicidade do Natal ganhou o reforço da publicidade do milênio. Certo, o milênio é coisa para a zero hora de 1º de janeiro de 2001. Mas criou-se no mundo inteiro, Brasil no meio, com a competente ajuda do bug, a percepção coletiva da virada da década, do século e do milênio neste próximo sábado. Diz Washington Olivetto, da W/Brasil: E daí? No ano que vem a gente reaviva a chama do milênio. E la nave và...
Pelo sim, pelo não, as emissoras brasileiras de televisão venderam gordos pacotes para a vigília da cabalística virada dos quatros dígitos (de 1999 para 2000). A coisa envolve pools globais de televisão. Começando pela estréia do milênio de mentirinha lá na Austrália, 13 horas à frente do pirotécnico réveillon de Copacabana.
Secos & Molhados
Residual
- E a publicidade na Internet? A nova mídia não passa, por enquanto, de um veículo residual. Este ano, movimentou menos de 0,1% do bolo publicitário americano, de US$ 230 bilhões. No Brasil, não há dados disponíveis.
Loja virtual
- E o comércio eletrônico? O Pão de Açúcar, o mais agressivo, vendeu pela Internet, até ontem, 14 mil cestas de Natal para internautas do eixo Rio-São Paulo-Brasília. Volume maior que o das lojas físicas.
Decolando
- Dono do site Valeu, Jack London diz que a explosão do comércio eletrônico no Brasil (e no mundo) é coisa para o ano 2001. Temos mais 12 ou 15 meses de aprendizado coletivo. E de maior confiabilidade no sistema.
Virou capa
- Pelo sim, pelo não, a revista Time concede o laurel Personagem do Ano ao campeão do e-commerce, Jeff Bezos, 35 anos, criador da Amazon.com em 1995. A Time desistiu, na última hora, da capa Personagem do Século.





