Joelmir Beting
A Internet alarga as fronteiras do capitalismo ao conceder poder inusitado aos consumidores. Isso torna o mercado dramaticamente mais eficiente.
William Henry Gates III, em Vida Digital, edição da Veja
Novo salto na rede
Fenômeno tecnológico e mercadológico deste fim de milênio, a Internet decola para a banda larga de alta velocidade, com acesso também sem fio e até sem micro. E sem cobrar um tostão do internauta paparicado. O que já faz a NetZero nos Estados Unidos ou o Bradesco no Brasil. Com a nova Web, vulgo Internet 2, a rede mundial deve cumprir a profecia de Andy Grove, da Intel: conectar o primeiro bilhão de terráqueos antes de 2005. Ela entra em 2000 já com 200 milhões, quase 3% dela no Brasil.
Algo impensável aos pais da Internet, ainda na ativa: Leonard Kleinrock, 65 anos, e Vinton Cerf, 56 anos. O primeiro fez a comutação pioneira entre dois computadores na Universidade da Califórnia. O segundo, hoje vice-presidente da MCI WorldCom, criou a chave de tudo, o chamado Protocolo de Controle de Transferência/Protocolo de Internet, popularizado pela sigla em inglês TCP/IP ou simplesmente IP. Eles não fizeram fortuna. Fizeram história.
A Internet 2, cerca de 70 vezes mais capaz e mais veloz que a Web que hoje nos serve (no limite da saturação da máquina e da paciência do homem), não dispensa a malha de fibras ópticas para elevar a velocidade de acesso dos atuais 2 milhões de bites para 155 milhões. Aqui no Brasil. Nos Estados Unidos, para variar, o salto já se faz para 700 milhões de bites.
Cá, como lá, a decolagem da Internet 2 ainda é exclusividade da comunidade acadêmica e de tarefas internas das operadoras de telecomunicação. Em mais dois anos, se tanto, ela já estará à disposição dos internautas brasileiros em geral e respectivos provedores e titulares de sites. É o que estabelece o programa Sociedade da Informação, lançado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Se a Internet 1, congestionada, tem massa crítica de sobra para revolucionar os fundamentos da economia moderna e impactar veloz e profundamente toda a estrutura social da civilização do conhecimento imaginem o que nos reserva, nestes próximos dez anos, o advento da Internet 2.
Não dá para imaginar. Agora que já temos Internet em porta de elevador, em tampa de microondas, em painel de automóveis, em telefonia celular... Esta última, promovendo parcerias tecnológicas da americana Microsoft com a sueca Ericsson e da alemã Siemens com a japonesa Casio. Ambas na pista de um telefone celular vestido de PC palm-size com tela de cristal líquido e comando touch-screen. Em 2003, haverá 1 bilhão de celulares ativados no mundo.
Quem segura?
- Com o Windows CE, Bill Gates coloca um pé na canoa da Ericsson e outro na canoa da parceria Siemens/Casio. E atropela o sistema alternativo Epoc, desenvolvido pelo consórcio Motorola, Nokia, Matsushita e Ericsson, a própria.
Nova geração
- A telefonia celular transborda para a terceira geração. A transmissão de dados dispara da média atual de 9,7 mil bites para 2,1 milhões 41 vezes mais veloz que os melhores modens de hoje.
Nova riqueza
- O celular amplia o poder de fogo da Internet, que robustece o arsenal de negócios do celular. Operadoras da telefonia wireless passam a desfrutar do mesmo valor de mercado das campeãs da Internet.
Bola-de-neve
- Empresa mais rica da Europa? A finlandesa Nokia já vale US$ 210 bilhões. A inglesa Vodafone, cotada em US$ 160 bilhões, acaba de superar o ex-monopólio estatal British Telecom, avaliado em US$ 145 bilhões.





