‘‘Temos muito mais coisas em comum com uma abóbora do que com um computador.’’
Fulco Patresi, biólogo italiano
Contagem regressiva
Para o Brasil, horário de verão em Brasília, a primeira ferroada do bug do ano 2000 está programada para às 11 horas do dia 31 de dezembro. Exatamente quando o planeta Terra penetra no ano 2000 pelo fuso horário da Austrália e da Nova Zelândia, 13 horas à frente do ‘‘réveillon’’ pirotécnico de Copacabana.
Milhares de técnicos e analistas brasileiros de computação e de equipamentos e serviços chipados estarão de prontidão a partir das 10 horas da sexta-feira, 31. Onde? Nos governos, nas empresas, nos bancos, nos hospitais, nos transportes. Uma vigília que vai prosseguir até 3 de janeiro, segunda-feira.
A marcação sobre o bug na saída da bola começa pelo Centro Nacional de Controle 2000, montado pelo Ministério da Defesa. Ele já está plugado nas áreas críticas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), da Agência Nacional de Petróleo (ANP), do Banco Central, do Serpro, do Dataprev (Previdência), da rede hospitalar, do sistema aeroviário...
A Embratel, conectada com o mundo, acaba de testar o cão perdigueiro da Internet para acompanhar o que vai ocorrer na Oceania, na Ásia, na África, no Oriente Médio e na Europa – mais de uma centena de países desembarcando no ano 2000 antes da gente. No caso do bug, levamos a vantagem de chegar atrasado na virada do ano 99 para o ano 00 – endereço do bug nos campos de data com ano ainda de dois dígitos. Computadores e equipamentos não readequados poderão traduzir o 00 por 1900 e não por 2000. Já viu?
Se algo de errado ocorrer na Austrália, na Rússia, na Índia ou na Itália, teremos pelo menos quatro horas de aviso prévio para simular idêntica situação em nossos sistemas. Ou para engatilhar os planos de contingência já montados e testados. As empresas de energia e de telecomunicação costuraram para a virada do ano protocolos de tratamento prioritário recíproco. O esquema inclui um serviço especial de telefonia global via satélite (Iridium) para a eventualidade de um colapso na rede nacional de telecomunicações.
O setor elétrico, o mais crítico para a sociedade, acaba de passar ileso por novo teste em bloco. Realizado no sábado, das 9 às 12 horas, a simulação da virada 2000 envolveu todas as 46 concessionárias de energia. Amanhã, o derradeiro teste em cadeia. No dia 31, às 22 horas, um ‘‘ensaio de prontidão’’ de meia hora para simular situações críticas e acionar planos de contingência. Em seguida, é só fazer figa.




Secos & Molhados
Um aviso
- A Aneel programou para meia hora após a virada do ano a emissão de um comunicado à imprensa sobre o desempenho do setor elétrico nas barbas do bug. Ela avisa que se o comunicado não sair é porque terá havido problemas para os lados da Anatel.
Tudo azul
- A Anatel informa que está tudo sob controle no sistema já privatizado de telecomunicações. Mas haverá plantão do bug para 7.224 técnicos nas operadoras do ramo. Testes em rede viva apontaram para ‘‘risco zero’’, garante Edson Carluccio, da Telefônica.
Copacabana
- Copacabana deve hospedar 2,5 milhões de pessoas no ‘‘réveillon’’. A maioria, com celular na orelha. Pode haver congestionamento natural do sistema – e não por culpa do bug, diz Edmundo Matarazzo, da Anatel.
Alô, mamãe!
- As telefônicas vão lançar campanha após o Natal: evite o telefone na faixa de uma hora antes até uma hora após o ‘‘réveillon’’. Pode?

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