‘‘Em mais cinco anos, todas as empresas estarão com um pé na Internet. Ou, simplesmente, estarão com os dois pés fora do mercado.’’
Andy Grove, presidente da Intel


Os infomediários
Infomediário é o intermediário do comércio eletrônico na infovia da Internet. Definição de Marc Singer, da McKinsey. O maior site do novo ramo é hoje o da Amazon.com americana. Primeira livraria virtual, cotada hoje em bolsa na faixa de US$ 28 bilhões, o site dela já virou infoshop global. Um hipermercado on-line onde internautas de 195 países podem escolher e comprar, além de livros e revistas, também discos, vídeos, micros, softwares, brinquedos, alimentos, remédios e objetos de arte.
Até porque a Amazon, criada em 1995, deu certo da noite para o dia – ainda que operando ainda hoje no vermelho! A tradicional livraria Barnes & Nobles, fundada em 1873, em Nova York, não teve escolha: pegou carona na Internet e hoje é o quarto site mais visitado do mundo (www.barnesandnobles.com). Ela deve fechar o ano com vendas em meio mundo de US$ 230 milhões – só de livros, álbuns e revistas. Acabo de receber dela justamente The Internet Bubble, livro dos irmãos e jornalistas Anthony e Michael Perkins, editado pela HarperCollins. Depois eu conto.
Nos Estados Unidos, essa primeira onda de infomediários já passa de 135 mil sites. Todos voltados para o consumidor final. Outros 83 mil fazem a ponte do ‘‘business to business commerce’’ – negócios de empresa com empresa, sem intermediários físicos na parada. Esta semana, General Motors e Ford anunciaram que vão operar, a partir de março, com todos os respectivos fornecedores de autopeças e componentes, em qualquer lugar do mundo (o ‘‘outsourcing’’), exclusivamente pela Internet.
Gigantes do varejo tradicional, nas trilhas da Barnes & Nobles, cuidam de desfilar o crachá.com até por questão de sobrevivência. O Natal 99, na festiva Nova York, faz explodir o consumo on-line nas lojas virtuais da Macy’s (52 mil itens), da Gap (confecções) e da FAO Schwarz (brinquedos). A Wal-Mart avisa que só vai entrar em órbita a partir de junho.
Nos cálculos do Boston Consulting Group, o Papai Noel americano, vestido de micro, com trenó chipado e renas em rede, vai gastar US$ 13 bilhões, desde 1º de novembro. O que elevaria o comércio eletrônico do ano todo para US$ 65 bilhões. Entre empresas, a coisa pode fechar ao redor de US$ 175 bilhões.
O Departamento de Comércio ainda não concluiu o rastreamento do e-commerce total. Onde o governo deita o olho gordo fiscal. Por enquanto, tributar a Internet é tão fácil como cercar um frango doido em campo aberto. Caso do comércio de produtos digitais. Transportados num clique, simplesmente não deixam impressões digitais.




Secos & Molhados
E no Brasil?
- Tal como lá fora, também aqui o inventário da Internet ainda é uma chutometria cibernética. Aposta-se na existência, neste fim de ano, de pelo menos 4 milhões de micros corporativos e residenciais plugados na Web.
Inclusão
- Para uma plataforma de micros estimada em 8,5 milhões, nossa taxa de inclusão na Internet aproxima-se de 47%. O dobro do México, com 23%. Ou duas vezes maior que a da Argentina, com 16%. Fonte: Ernst & Young.
Onde estão
- Famílias e indivíduos respondem por 40% dos micros em operação. O setor financeiro entra com 27%. Os governos, 16%. Indústria, comércio e serviços, 14%. Fonte: Fenasoft. Temos um micro para cada 10 habitantes. Nos Estados Unidos, 1 para 1,8.
Bola-de-neve
- Grandes e médias empresas brasileiras já investem 3,4% da receita líquida em bens e serviços da informática. Um mercado já da ordem de US$ 20 bilhões (sem contar a pirataria).

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