Joelmir Beting
Quanto maior a economia mundial, mais poderosos se tornam seus agentes menores. Eis o que se pode chamar de paradoxo global.
John Naisbitt, consultor americano
Tamanho é documento?
Receita de sucesso para a empresa global do século 21, que já chegou: corpo de empresa grande com alma de pequena empresa. Assinado: Jack Welch, o executivo que fez da gigante General Electric (GE) americana a empresa mais admirada do mundo. Sim, na opinião de 76% dos 2.788 executivos das maiores empresas globais consultados pelo jornal inglês The Financial Times.
No mesmo ranking das mais queridas ou invejadas aparece, em segundo lugar, outra gigante sem fronteira, a Asea-Brown Boveri (ABB), com sede em Zurique. Pelas mãos de Percy Barnevik, a ABB não se contentou em realizar a fusão cultural da sueca Asea com a suíça Brown Boveri.
Assumiu o formato de uma centopéia sem similar no clube das megaempresas. Ela não passa, hoje, de uma confraria de 1.214 empresas, com 208 empregados em média cada. A nova matriz baixou o quadro de 4.232 para 185 funcionários.
Barnevik disse em São Paulo, em 1995: Crescemos o tempo todo para fora porque diminuímos o tempo todo por dentro. Somos uma constelação de empresas locais com uma coordenação global. O que nos tem permitido, conforme a música, agir localmente e pensar globalmente. Ou agir globalmente e pensar localmente. No espírito da empresa grande no tamanho e veloz na percepção e na decisão, segundo Jack Welch, da GE.
Nada menos de 92% dos negócios da ABB são faturados fora da Suíça e da Suécia.
A busca da agilidade da pequena empresa local na estrutura paquidérmica da megaempresa global demonstra que o comércio mundial, em expansão de 7% ao ano (média da década), não vai acabar com o universo das micros e das pequenas empresas. Na linha do paradoxo global de John Naisbitt, a prosperidade das grandes tornou-se, mais que nunca, refém da capacidade das pequenas. Capacidade desenvolvida por contratos de parceria nos canais da tecnologia, do suprimento e do crédito.
Dá-se, com isso, um segundo paradoxo: a concentração das grandes empresas em fusões e incorporações biliardárias e a desconcentração de cada uma delas em empresas menores, flexíveis e focadas. Fenômeno que a turma da Harvard Business School chama de Efeito ODD (outsourcing, delayering, downsizing). A mastodonte IBM só não foi a pique porque se desmembrou em 12 baby-blues.
Se até as megaempresas globais, enroladas nas próprias deseconomias de escala, deram de badalar as vantagens comparativas das pequenas empresas, por que a maioria dos governos chorões, hoje xingando a mãe da globalização, não cuida de oferecer a estas últimas um tratamento realmente diferenciado e favorecido?
Secos & Molhados
Espalhando
- Em 1970, os 30 países mais ricos do mundo (OCDE) respondiam por 74% do PIB global (antes da globalização). Em 1997, esse megabloco já havia baixado a bola para 63%. Paradoxalmente, o processo é de inclusão.
Repartindo
- Em 1970, as 500 maiores empresas dos Estados Unidos (Fortune) realizavam 22% do PIB americano. Em 1997, tempos globais, nada além de 9%. Inclusão paradoxal.
Embarcando
- De 1970 a 1997, as empresas com mais de 500 empregados reduziram de 18% para 7% sua fatia nas exportações industriais dos Estados Unidos. As com menos de 20 trabalhadores avançaram de 27% para 56% dos embarques totais. Inclusão.
Patinando
- E as micros e pequenas empresas do Brasil varonil? Elas realizam seminário nacional de três dias, até terça- feira, em São Paulo. Amanhã, nesta coluna.





