‘‘O Brasil já escapuliu da crise. Capa da Veja: top model. Capa da Época: Chico Buarque. Capa da IstoÉ: dieta de emagrecimento.’’
Rodolfo Gamberini, jornalista

Reunião para reunir
Quando nada se tem para decidir, faz-se a reunião só para reunir. Eis o desfecho manjado da conferência ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC), de hoje a sexta-feira, na cidade americana de Seattle. Os 135 países representados têm quatro dias para aprovar (ou não) a convocação de uma rodada global de negociações para a liberação ainda maior do comércio internacional.
Quatro meses de reuniões preparatórias, na sede da OMC, em Genebra, não foram suficientes para rascunhar a agenda da conferência de Seattle. E esta não terá massa crítica adequada para costurar a vasta pauta das negociações futuras. Pelo menos em cinco áreas sensíveis: 1) remoção dos subsídios e das barreiras que atrofiam o intercâmbio de produtos agrícolas; 2) adoção de um tratado amplo também para serviços e não apenas para mercadorias; 3) inclusão de salvaguardas trabalhistas e ambientais no comércio mundial; 4) regulação do comércio eletrônico, infestado pelo vírus ‘‘cyberpiracy’’; 5) linha dura na proteção de direitos de propriedade intelectual.
Não bastasse a construção dessa Torre de Babel pelas comitivas governamentais, Seattle faz desfilar, desde sábado, perto de 100 mil militantes de organizações não-governamentais de 90 países. Todos, rigorosamente todos, falando a mesma língua: ‘‘Abaixo a OMC! Abaixo o livre comércio! Abaixo a globalização!’’
Filigrana política de episódio: os países ricos e as empresas globais dos países ricos agradecem o apoio irrestrito e inocente das ONGs de meio mundo. Eles não querem abrir mão do protecionismo comercial dos respectivos produtores rurais. E, até em nome desse mesmo protecionismo, também exigem da parceria global ‘‘selvagem’’ salvaguardas trabalhistas e ambientais. E mais: os governos dos Estados Unidos, da União Européia e do Japão não estão a fim de acelerar as negociações da chamada Rodada do Milênio da OMC.
O salão oval da Casa Branca bem que gostaria de um impasse ou fiasco nesta conferência de Seattle. A contagem regressiva para a eleição presidencial já está ligada. O governo Clinton espera fazer o sucessor daqui a um ano. A postagem dos democratas começa pelos sindicatos. E os sindicalistas americanos, igualmente em passeata no rodapé da OMC, não deixam por menos: livre comércio significa farra de importados, com emprego menor e salário idem.
Interessante! Os Estados Unidos devem fechar o ano com o maior déficit comercial da História: US$ 200 bilhões. E com o menor desemprego e o maior salário real em meio século. E com Jeffrey Sachs analisando em livro: os países abertos cresceram 4,3% ao ano desde 1950. Os países fechados cresceram só 1,2%. Que tal?




Secos & Molhados
Sem inflação
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-Qual é a ligação, no caso americano, entre déficit comercial recorde, inflação mínima e oferta de emprego recorde? A competição externa implode a carestia interna. Além de atiçar a modernização, que reduz custos e estabiliza preços.
E o emprego?
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-Sem inflação, não há arrocho monetário. Sem arrocho, aumentam o consumo, a produção e o emprego. Neste último trimestre, economia americana cresce 5,5% (taxa anualizada), com desemprego ‘‘friccional’’ de apenas 4,1%.
Seis por um
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-Neste meio século que termina, a população mundial cresceu uma vez (de 3 para 6 bilhões de terráqueos). A economia mundial, no mesmo período, ficou seis vezes maior (de US$ 4 trilhões para US$ 28 trilhões).
Locomotiva
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-De 1950 a 1999, o comércio mundial de mercadorias (fora serviços) cresceu 19,6 vezes. A dólar de 1997, passou de US$ 304 bilhões para US$ 6,2 trilhões.

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