Joelmir Beting
Há três tipos de governo: 1) o que faz acontecer; 2) o que assiste acontecer; 3) o que nem sabe o que acontece.
George Santayana (1863-1952), filósofo americano
Tique-taque do Bug 2000
O setor público e o setor privado trocam figurinhas sobre o Bug do Milênio nesta terça-feira, em São Paulo. Último inventário do que o Brasil faz ou deixa de fazer para remover os riscos dessa fuzarca digital com aviso prévio. Faltam apenas 38 dias para o réveillon do Bug. Das duas, uma: ou haverá problemas graves ou tudo não terá passado de um alarmismo sob medida para vender consultorias, reequipar sistemas, contratar advogados e emocionar a mídia.
Seguinte: computadores e equipamentos chipados, não convertidos ou não subtituídos, ainda servidos por campos de data com ano gregoriano de dois dígitos, poderão traduzir a virada de 99 para 00 como a entrada do ano 1900 e não do ano 2000. Uma falha (bug ou grilo) do tamanho de um século nos extratos bancários, nas contas do INSS, nos controles numéricos de usinas, fábricas, máquinas, elevadores, hospitais, transportes, energia, telecomunicações, alimentos, remédios, aviões...
O balanço da remoção (ou não) do Bug verde-amarelo e dos planos de contingência nos governos, nas empresas e nos serviços começa às 8h30 e vai até às 17h30 no auditório da Gazeta Mercantil. Participam do seminário os encarregados do Bug no Programa A2000 (União), no Banco Central, na CVM, na Aneel, no Estado-Maior da Defesa, no Idec, na CMS Consulting, no Gartner Group, na Bell Canadá, na Ibirá Comunicações e o Pinheiro Neto Advogados.
Para a Moodys, classificadora global de riscos, o Brasil desfila risco 33 (numa escala de 0 a 100). Risco baixo. Certamente, por obra e graça da adequação já concluída do nosso sistema financeiro, um dos mais informatizados do mundo. Uma campanha antipânico (ou anticorrida do saque) monitorada pela Febraban, começa a rolar esta semana. Em extratos, mala-direta, Internet e propaganda comercial, os bancos brasileiros passam a comunicar ao distinto público que está tudo sob controle. Foi o que se viu em todos os testes em bloco realizados recentemente pelo Banco Central, pela Febraban, pelas bolsas e pelas redes Selic e Cedip.
Dona do histórico de 18,5 milhões de aposentados e pensionistas do INSS, a Dataprev avisa que já revisou, juntamente com a Unysis, mais de 8,5 milhões de linhas. Com isso, removeu o Bug de quase 3,2 milhões delas e livrou-se de qualquer problema em todos os cadastros do INSS. O plano de contingência está pronto e os 42 bancos conveniados devem pagar tudo no dia, sem grilo.
A Aneel (energia) e a Anatel (telecomunicações) garantem que não haverá blecaute nem colapso nos respectivos sistemas. Igualmente já devidamente testados em rede.
Secos & Molhados
Pelo sim, pelo não
- O medo maior de bancos, fábricas, hotéis e hospitais é o do blecaute movido a Bug. Resultado: aumento médio de 40%, desde setembro, na venda e no aluguel de geradores. Fonte: Stemac, Maquigeral, Atlas-Copco, Cummins, Sotreq e Montesp.
Frigoríficos
- A chamada indústria do frio (alimentos e bebidas) está armada de geradores em fábricas e depósitos. O verão responde por metade das vendas anuais de cervejas e sorvetes.
Copacabana
- Cascata de fogos de 115 metros de altura vai escorrer pelos 39 andares do Hotel Meredien no réveillon pirotécnico de Copacabana. Os melhores hotéis do Rio estão equipados com geradores e já baniram o Bug de computadores e elevadores.
Sem seguro
- Enquanto advogados contabilizam bons contratos para a batalha das indenizações que ronda o Bug 2000, as seguradoras lavam as mãos: nada de Bug na cobertura de riscos das empresas e dos respectivos fornecedores e consumidores. Que grilo!





