‘‘O petróleo não vai acabar. O que pode acabar é o uso do petróleo - se o preço dele não recobrar o juízo.’’
Henry Kissinger, politólogo americano (novembro de 1979)
Barris do medo
Sentada em quatro de cada cinco barris das reservas mundiais comprovadas, a Opep ensaia prorrogar para 31 de dezembro do ano que vem o corte tático de 10% na oferta diária de petróleo. Essa redução, ajustada em março passado, deveria vigorar até março próximo, já no reverso do inverno nos dois lados do Atlântico Norte, endereço de dois em cada três barris consumidos no mundo.
Esse jogo de cartel, o mesmo que produziu os choques encavalados de 1973/74 e 1979/80, com estragos telúricos no rodapé do ‘‘milagre brasileiro’’, explica a nova arrancada do barril desde março: elevação de 138% em oito meses, com o tipo Brent cravando US$ 25 na abertura da segunda quinzena de novembro.
Relatório divulgado segunda-feira pelo Centro de Estudos de Energia Global, de Londres, avisa que o consumo de inverno nos Estados Unidos, na União Européia e no Japão – tríade das nações energívoras – ficará, em média, 2,7 milhões de barris por dia acima do consumo do último verão. A Opep programou um aumento de produção, para este período, de apenas 700 mil barris.
Resultado: admite-se para dezembro/março um barril a US$ 30. Com direito a manchetes do tipo explosão de oleoduto na Nigéria ou de greve de petroleiros na Venezuela. Ah! Com reflexos, por causa disso, nos juros do Fed ou no IPA do Brasil. A menos, claro, que o governo brasileiro se dê por saciado com a correção já emplacada de 63% nos preços internos dos derivados de petróleo. Com sobras para o álcool carburante.
E tome discussão entre os ‘‘traders’’ da energia global sobre a capacidade de sustentação dos preços do cartel opepiano. Por um ano, sim. Até porque as cotações do Brent, abaixo de US$ 10, em janeiro último, pico do inverno lá do Norte, estavam realmente aviltadas. Terá a Opep condição técnica (e política) para segurar os preços no teto pactuado por mais um ano?
É bom lembrar que megacampos do Oriente Médio totalizam reservas comprovadas de 610 bilhões de barris (as do Brasil não passam de 9,2 bilhões). Eles continuam jorrando petróleo de boa qualidade a menos de US$ 2,50 por barril. Dádiva de Alá!
E o que dizer do efeito-substituição? Barril a US$ 30 reviabiliza fontes alternativas de energia. Elas estão adormecidas, mas não suprimidas. Caso do Proálcool verde-amarelo.




Secos & Molhados
Proálcool?
- Alta intempestiva do hidratado nas bombas da esquina ocorre justamente na tentativa de reabilitação estimulada do carro a álcool. Um tiro no próprio pé do mercado.
Renovação?
- A rebrota do Proálcool tropeça igualmente na desconversa que ainda ronda o projeto da renovação incentivada da frota sucateada (com mais de dez anos de uso e de abuso). Fala-se que o parto dessa montanha deve ocorrer em janeiro ... De que ano?
E a inspeção?
- A renovação da frota teria como cabo eleitoral, o programa de inspeção veicular obrigatória. Pois esse programa, em gestão desde 1995, acaba de ser mais uma vez protelado...
Torre de Babel
- Num Brasil, onde até a Lei Pelé fica adiada por mais um ano, vale a advertência: em políticas públicas, quem decide pode errar; quem não decide já errou.

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