Joelmir Beting
Congelar a base dos juros foi uma decisão correta. O câmbio continua agitado e a inflação ainda atrapalha.
Gustavo Loyola, consultor financeiro
Barbas de molho
Alta inesperada dos preços no Brasil e alta aguardada dos juros nos Estados Unidos pressionam a cotação do dólar e forçam o Banco Central a cimentar o piso dos juros em 19%, substituindo o viés de baixa pelo viés neutro. A próxima reunião do Fed americano está marcada para terça-feira, 16. A próxima reunião do Copom brasileiro, última do ano, está programada para 21 de dezembro.
Promessa solene do presidente Fernando Henrique Cardoso, lançada em abril e requentada em agosto, aponta para uma taxa básica, vulgo Selic, de apenas um dígito antes do réveillon. Claro, taxa real, descontada a inflação do IPCA (IBGE), recalibrada no ano para 8,50%. Logo, a Selic teria de contentar-se, em 21 de dezembro, com 18,25% no máximo.
Não vale para o inflation targeting do Banco Central, adotado em julho, o IGP (FGV). Este índice captura a variação dos preços também (e principalmente) no atacado ou na produção e não apenas no varejo ou no consumo (caso do IPCA). E o danado do IGP, com soluço de 1,89% no mês passado, acumula 15,59% em dez meses e pode fechar o ano acima de 17,50%.
Tradução: se deflacionada pelo IGP, a Selic já ostenta a menor taxa real de todos os tempos. Nada além de 3,41% ao ano. Com o detalhe: o próprio mercado financeiro vinha operando com taxas prefixadas no mercado futuro abaixo da Selic de 19%. Aposta coletiva na redução da taxa básica para 18,75% ou mesmo para 18,50%. Não se contava com IGP de 1,89% em outubro.
As atenções do mercado e de todo o setor produtivo emocionalmente sequestrado pela ciclotimia do câmbio e dos juros - voltam-se, neste feriadão, para a reunião do Fed de Greenspan, terça-feira. Pelos indicadores da economia americana e pelos humores das cotações da Nyse e da Nasdaq, metade dos analistas de Wall Street apostam no viés neutro do Fed. A outra metade está jogando com alta de 0,25 ponto porcentual na taxa básica do Fed.
Lá, como cá, a inflação no atacado é o dobro da inflação no varejo. É que cá, como lá, a indústria não consegue repassar custos para preços.
A competição desembestada, mesmo com mercado aquecido (o deles), acabou com o fantasma monetarista da inflação de demanda.
Secos & Molhados
Pelas pontas
- Com ou sem redução da taxa básica, o Banco Central continua patrulhando o comportamento desobediente dos juros nas pontas do crédito de bancos e de crediário de lojas.
Tem sobras
- O Banco Central está preocupado mais com a inflação do que com o câmbio. O próprio mercado entende que dólar acima de R$ 1,90 é uma aberração. Com declive certeiro na primeira quinzena de janeiro.
Papai Noel
- Haverá ou não um Natal 99 maior que o Natal 98? O comércio lojista do eixo Rio-São Paulo-Brasília está estocado para um aumento de até 10% nas vendas.
Com repasse?
- Fábricas entaladas com custos tributários cambiais, tarifários e salariais acima de 20% no ano ainda tentam repassar pelo menos metade disso para o varejo natalino. A pressão maior é de alimentos e confecções.





