‘‘O mercado de crédito bancário ainda não está funcionando no Brasil. Assim sendo, a economia brasileira continua literalmente amarrada.’’
Armínio Fraga, presidente do Banco Central
Levantar as pontes
Dois são os trabucos da doutrina econômica na guerra santa contra a inflação. Ou contra os ensaios de rebrota da inflação. O primeiro, o mais cortejado pela estatocracia universal, é o da redução do consumo ou da demanda, assim por decreto, da noite para o dia. Basta enxugar e encarecer o crédito bancário para giro e consumo. No encalhe da mercadoria, o preço desiste de subir.
O segundo trabuco, enferrujado por falta de uso, é o da contenção da carestia por aumento estimulado da produção ou da oferta. Estímulo feito exatamente de crédito maior para produção e giro, bem ao contrário da política de contenção punitiva da demanda.
Em qual dessas opções o leitor colocaria suas fichas? Fico com a segunda. Monetarice de lado, entendo que tentar segurar a escalada dos preços (ou mesmo garantir o regime de estabilidade já alcançada) não pelo aumento incentivado da produção ou da oferta, mas pela redução punitiva do consumo ou da demanda, constitui um expediente bem pouco inteligente. Seria o mesmo que enfrentar a ameaça de enchente no fundo do vale, ordenando o rebaixamento do leito dos rios e não o levantamento do nível das pontes.
Profissional de mercado, que nada tem de acadêmico dogmático, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, está realmente a fim de afrouxar o garrote monetário da economia. E não apenas para engraxar a correia de transmissão da retomada do consumo, da produção e do emprego. Também para, a um só tempo, desengavetar projetos privados que vestem a camisa da modernização das empresas e da ampliação dos mercados.
Ora, estimular a retomada dos investimentos e não apenas do consumo corrente e da produção instalada (por uso de capacidade ainda ociosa) é apostar na ampliação da oferta futura, exatamente aquela que haverá de recepcionar o aumento da demanda, estabilizando os preços. Sem o falso dilema monetaróide do crescimento econômico versus estabilidade monetária.
O problema político é que nenhuma autoridade planaltina, do presidente da República ao presidente do Banco Central, passando pelo ministro da Fazenda ou pelo ministro do Desenvolvimento, arrisca dar essa boa notícia: a da oferta de um crédito maior a um custo menor. Essa é uma decisão para ser executada e não para ser paparicada. Aviso prévio sobre alívio de crédito é como aviso prévio sobre mudança no câmbio. Faria o jogo da especulação. E esta inviabilizaria a decisão.
O importante é que esse ajuste monetário, necessariamente gradualista e cauteloso, já começou. É até bom mudar de assunto.




Secos & Molhados

Acelerando
- O comércio mundial fecha o ano com crescimento de 4%. E leva jeito de crescer 7% no ano que vem – se o PIB global emplacar expansão de 3,5%. Projeção da OMC.
Será que dá?
- A balança comercial brasileira deve fechar o ano no vermelho. Mas o governo pinta o ano 2000 de azul. O déficit anual de US$ 1 bilhão daria lugar a um superávit de US$ 5 bilhões.
Até que enfim!
- Classificadora de riscos globais, a Moodyamericana engraxa o ego do Brasil pela primeira vez desde outubro de 1997. Nossos bancos, segundo ela, são de ‘‘baixo risco’’ para esta reta final do Bug do Milênio.
Bolsa de Bits
- A Nasdaq americana, primeira bolsa de valores on line, acaba de cravar 3 mil pontos de valorização. Ela precisou de 28 anos para cometer a façanha. O Dow Jones, da Bolsa de Nova York, teve de esperar 85 anos para alcançar a mesma marca.

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