‘‘De governo novo, a Argentina vai parar de namorar os Estados Unidos e reatar o noivado com o Brasil.’’
Armindo Minervini, economista argentino
Pequeno Maastricht?
Qual é o assunto mais importante para o Brasil em todo o mundo? É o sucesso do Mercosul, ‘‘prioridade mais elevada de nossa política exterior’’, afirma o presidente Fernando Henrique Cardoso em carta ao presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa. Este visitará FHC em novembro e o presidente brasileiro estará na posse do novo colega argentino, em 10 de dezembro.
Brasil e Argentina devem acertar os ponteiros diplomáticos para o relançamento do Mercosul no ano que vem. Já se fala de um Pequeno Maastricht para o Mercosul 2000 – referência ao tratado que arredondou a usinagem da União Européia e promoveu a gestação da moeda única, o euro.
O embaixador do Brasil na Argentina, Sebastião do Rego Barros, acompanhou de perto a consolidação do megabloco europeu quando respondia pela nossa representação diplomática na Alemanha. Instalado em Buenos Aires, Rego Barros não vê nenhum problema na futura negociação com o novo governo argentino. A idéia de um Pequeno Maastricht supõe a convergência de metas tributárias, fiscais, trabalhistas e ambientais entre todos os parceiros do Mercosul.
Essa construção, por ser melindrosa e demorada, deve ser iniciada o mais rapidamente possível, entende Sebastião do Rego Barros. Da mesma opinião é o presidente eleito Fernando de la Rúa. Ele disse na primeira coletiva, segunda-feira, que o Mercosul tem de ser algo mais que uma união aduaneira. Ele propõe uma agenda política e uma agenda social para o relançamento do Mercosul.
Agenda política? Começaria pela consolidação de uma compacta estrutura jurídica para a resolução de controvérsias dentro do bloco e para fora dele. A pressa nessa articulação também tem a ver com a complicada negociação, em prazos já estabelecidos, de uma próxima integração comercial do Mercosul com a União Européia e com a futura Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Agenda social? Os países do bloco acertariam políticas de convergência e cooperação nos ‘‘fronts’’ da pobreza, do emprego, da educação, do meio ambiente, da cultura, do esporte, do narcotráfico e da defesa do consumidor.
E que tal uma agenda macroeconômica para o Mercosul, no figurino europeu do Tratado de Maastricht de 1994? A idéia de metas únicas para o déficit público, a carga tributária, os encargos trabalhistas, as taxas de juros e os índices de inflação já está em exame no Brasil, Argentina e Uruguai. Eis o embrião da moeda única para o Mercosul ampliado de 2007 ou de 2010. Por que não?




Secos & Molhados
Olho no Brasil
- Os argentinos torcem pela recuperação da economia brasileira e, de sobremesa, rezam pela revalorização do real. Que estaria sobrevalorizado em 25%, nos cálculos de José Luís Machinea, futuro ministro da Economia.
Mesmo barco
- Com o Mercosul, o Brasil fica um terço maior. Com o Mercosul, a Argentina fica duas vezes maior. Dá para concluir que o Mercosul é bem mais importante para os argentinos que para os brasileiros.
Sem invasão
- Mesmo com o peso (chumbado ao dólar) saltando de R$ 1,20 para R$ 2, não ocorreu até agora a invasão do mercado argentino pelos produtos brasileiros. Menos por resistência lá e mais por inapetência aqui.
Sem vocação
- Nas exportações em geral, para o mundo todo, nossos produtos nunca foram vendidos. Sempre foram comprados. Nem o reator cambial livrou-nos do déficit comercial.

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