‘‘A economia de serviços não tem cultura de horário. Trabalha-se com carga semanal de até 90 horas.’’
Lawrence Mischel, consultor americano
Mais emprego, mais trabalho
Aova York – Os economistas americanos não entendem o que se passa com esta Década do Século: máximo de prosperidade econômica com o mínimo de desestabilidade monetária. Pela cartilha monetarista de Chicago, desemprego abaixo de 6% desencadeia inflação acima de 6%. O desemprego transita há três anos corridos abaixo de 4,5% e a inflação não tem passado de 2,5%.
Os preços não perdem a disciplina nem mesmo com o aumento do salário real e o ganho líquido de 17% ao ano no mercado de ações – onde repousa um terço da poupança familiar dos americanos. Alan Greenspan já admitiu, publicamente, que não é a política monetária austera que anda segurando a inflação pelos chifres. A façanha deve ser atribuída a choques encavalados de modernização das empresas e de competição dos mercados. Produtividade constante e crescente – eis a senha do enigma americano.
Eis que o Instituto de Políticas Econômicas, fundação privada de Nova York, financiada por bancos e grandes empresas, coloca outras minhocas na cabeça dos economistas. Um estudo de dois anos, concluído no mês passado, descobre que a produtividade do fator trabalho (maior volume de produção por unidade de trabalho humano) dá carona, há um bom tempo, a um fenômeno paradoxal: o alongamento da carga semanal de trabalho, na contramão do que ocorre na Europa e no figurino do que ocorreu, na década passada, com a tigrada asiática.
Por cima e ao largo dos sindicatos, a ordem é trabalhar melhor e trabalhar mais. Em especial, na insaciável economia de serviços, que já responde por quase dois terços do PIB americano de US$ 8,7 trilhões. A pesquisa do IPE revela que o aumento da carga de trabalho (1979 a 1998) foi da ordem de 22%. A carga oficial é de 40 horas semanais. Na prática do mercado, a coisa está ao redor de 50 horas.
Vice-presidente do IPE, o consultor Lawrence Mischel lembra que o aumento da carga horária tem muito a ver, nos últimos 20 anos, com a crescente participação das mulheres no mercado de trabalho. Com dois efeitos: 1) maior número de mulheres trabalhando; 2) a quase totalidade delas fazendo jornada integral e não, como nos anos 60, meio expediente. A pesquisa do IPE mostra que os casais de classe média somam 3.335 horas trabalhadas por ano, contra 2.992 em 1969.
Na economia de serviços e no teletrabalho, a carga semanal passa de 60 horas. E chega a 90 em trabalhos por encomenda.




Secos & Molhados
Pela Internet
- O site Media Metrix estocava, ontem, uma oferta de 212 mil empregos de todos os tipos e níveis. A consulta é de 2,8 milhões por mês. Por anúncio, a empresa paga US$ 190.
Sem sindicato
- Os sindicatos americanos continuam perdendo as respectivas bases. O índice de sindicalização caiu de 16% da força de trabalho, em 1990, para 9% no ano passado. Incluídos os funcionários públicos.
Das causas
- Relatório do Departamento de Trabalho aponta um balaio de causas para o declínio do sindicalismo. Entre outras, a disparada da economia de serviços e a flexibilização dos contratos de trabalho.
Central global
- Em Genebra, quatro federações internacionais fundem-se na primeira central sindical global. Anote a sigla, em inglês: vem aí a UNI – Union Network International.

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