‘‘Na aviação, o cliente realmente sempre tem razão. Afinal, nosso produto é um bem de capital com o qual ele pode conviver 30 anos.’’
Maurício Botelho, presidente da Embraer
O vôo mais alto
NOVA YORK - Presidente da Embraer, potência global da sofisticada indústria aeronáutica, Maurício Botelho recebe, esta noite, em jantar de gala no Plaza Hotel, o título de Personalidade do Ano, prestigiosa promoção da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, de Nova York.
Pelo lado americano, o laureado deste ano é o presidente mundial da Alcoa, Alain Belda. Que fez longa carreira na subsidiária brasileira.
Maurício Botelho diz que divide a honraria ‘‘com todo o quadro de funcionários da empresa, o mais qualificado de toda a indústria brasileira, de todos os setores’’. Botelho explica que a Embraer privatizada partiu de um produto de US$ 40 mil por funcionário, em 1994, para US$ 270 mil atualmente, a caminho de US$ 500 mil até 2004.
Mesmo com a contratação de mais 3.500 profissionais nestes próximos dois anos.
O sucesso da Embraer, sob o comando de Maurício Botelho, vai além dos números e desemboca nos conceitos. Antes, os números. Ela estava literalmente quebrada sob gestão estatal. Em 1994, tinha encomendas firmes de US$ 260 milhões, faturava US$ 230 milhões, perdia US$ 330 milhões e já devia US$ 410 milhões. Privatizada, arremeteu antes do ‘‘crash’’ no brejo da quebradeira e hoje pontifica no mercado global com encomendas acima de US$ 8 bilhões. O maior deles, o da Crossair suíça, totaliza US$ 4,9 bilhões.
E que mercado! Primeiro: é terra de gigantes do high-tech de padrão espacial, autêntica guerra nas estrelas. Segundo: o jogo desse mercado, que se confunde com melindres de segurança nacional, é bruto e pesado. Terceiro: não dá para sentar na vitória da aviação regional sobre uma Bombardier do Canadá, dez vezes maior que a própria Embraer. É preciso encarar a próxima competição com os gigantes Boeing e Airbus no mercado de aviões de até 150 lugares. Além do desenvolvimento de novos produtos da aviação militar.
Para Maurício Botelho, a Embraer voa nas asas de conceitos de base: ‘‘Ela é o terceiro elo de uma linha de montagem estratégica de corte tecnológico. Linha que começa pelo Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). O que animou os novos controladores na aquisição da Embraer foi justamente o capital humano dela.’’




Secos & Molhados
Era do jato
- A Embraer lidera o advento do jato na aviação comercial de segunda linha (a regional). Ela domina uma nova família de aviões, de 37, 70, 98 e 108 lugares. Com custo menor e operação melhor que o da concorrência global.
Investimentos
- Desde 1995, os investimentos já passam de US$ 1 bilhão, com mais US$ 600 milhões contratados. A substituição do turboélice pelo jato abre um mercado de quase US$ 100 bilhões em apenas dez anos.
Páreo duro
- Com jatos de até 110 lugares, a Embraer vai brigar com quatro gigantes: Boeing, Airbus, Bombardier e Fairchild/Dornier. Nenhum deles domina todos os nichos do mercado. Haverá alianças estratégicas no plano de vôo de cada uma delas.
Novo salto
- Estudo da Boeing, que volta a operar no azul, indica para a próxima década encomendas de 11 mil aviões comerciais. Perto de 40% deles de empresas regionais.

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