Joelmir Beting
O controle da inflação americana é garantido pelo avanço tecnológico e pela competição global. Sorte de Greenspan.
Robert Barro, professor em Harvard
Regra de Taylor
NOVA YORK Quando Alan Greenspan falou pela primeira vez em irrational exuberance do mercado de ações (que estariam valendo em bolsa bem mais do que as respectivas empresas realmente pesam), o índice industrial Dow Jones, principal termômetro do mercado americano, estava na faixa de 6.500 pontos. Média de outubro de 1996. De lá para cá, a valorização de mercado cravou até 78% em abril último, contentando-se com 55% agora em outubro.
Tradução: o mercado centrado em Wall Street respeita Greenspan, mas não toma decisões em função do patrulhamento dele. Sexta-feira, em pleno salão de festas da Bolsa de Nova York, o presidente do Fed, banco central americano, voltou à carga e disse que está mais atento que nunca, agora que a inflação acaba de dar um baita soluço em setembro.
O professor Robert Barro, de Harvard, diz que o Fed da Era Greenspan (1987/1999) nada mais faz que aplicar ao pé dos juros a chamada Regra de Taylor: uma combinação matemática de taxas de juros com taxas de inflação, indicadores da economia, índices de desemprego e níveis de salário. Um modelo apurado em 1985 pelo professor John Taylor, de Stanford.
Robert Barro encaixa a regra de John Taylor na curva de juros da Era Greenspan e descobre uma simetria quase perfeita até novembro do ano passado. Para este ano, aparece no gráfico um desvio de rota na execução da Regra de Taylor: a atual taxa básica dos títulos federais a dos juros interbancários tabelados pelo Fed estaria subestimada, agora em outubro, em 0,75 ponto porcentual.
Eis a pista. Este poderia ser o calibre da correção ainda este ano. Digamos: 0,50 na reunião de 16 de novembro e mais 0,25 na reunião de 21 de dezembro. O mercado sabe disso. É muito popular a Regra de Taylor nos bares de Wall Street. Ela nada tem a ver com a irrational exuberance do mercado de ações, pé-de-meia de metade da população americana, lembra Ned Riley, diretor de Investimentos do BankBoston.
Daí a atual ansiedade do mercado. Três em cada cinco analistas apostam na alta dos juros em novembro. Tradução: vamos ter pela proa mais de 26 dias de nervosismo financeiro em meio mundo, Brasil no meio. O viés do Fed é de alta.
Que ajuste?
- A correção dos juros seria de 0,75%. E qual seria a correção das ações? Uma variante da Regra de Taylor aponta para uma sobrevalorização média de 26% sobre a variação dos T-bonds do Fed desde outubro de 1996.
Sem trauma?
- A economia americana suportaria tamanho ajuste técnico? No curso de um ano (e não de um mês) não haveria maiores traumas. Um ajuste rápido seria deflacionário e recessivo.
Tem paralelo?
- Na década passada, o Japão estava na mesma situação dos Estados Unidos, nesta década. Havia expansão da economia sem aumento da carestia. Havia pleno emprego e euforia nas bolsas. Agora, tome década perdida no ex-dragão da economia global.
Sem lentes?
- O professor Boyan Jovanovic, da Universidade de Nova York, divulga ensaio para a tese: a) não há bolha na bolsa nem na economia; b) o que há é análise obsoleta das mudanças.





