Joelmir Beting
Na economia em rede, tamanho volta a ser documento. Maior a rede, menor o custo fixo e maior o lucro da escala.
Michael Armstrong, presidente da AT&T.
Estado de choqueGENEBRA A onda das megafusões de gigantes das telecomunicações acaba de atravessar o Atlântico Norte e deixa a Europa Ocidental, literalmente, em estado de choque. A recente fusão da MCI-WorldCom-Sprint, operação telúrica de US$ 129 bilhões, foi um ultimato para a união, logo mais, das grandes operadoras européias sejam elas monopólios estatais ou empresas já privatizadas.
O assunto foi tratado a céu aberto no Fórum 99 da Telecom Geneva pelos próprios comandantes dessas companhias. Eles pontificaram nos painéis do Policy & Regulatory Summit, encerrado ontem. Jean-Michel Hubert, presidente da agência reguladora do setor na França (equivalente à Anatel no Brasil), resumiu o desafio europeu: Ou as operadoras nacionais passam a operar em bloco ou cederão espaço às gigantes americanas na Europa e no mundo. Fusões, incorporações, parcerias e alianças estratégicas. Não há outro caminho. A temporada de namoros, noivados e casórios já começou. France Télécom e Deutsche Telekom retomam as negociações para uma aliança colossal. O mercado alemão passa a ser disputado pela Mannesman, que acaba de comprar a francesa Cegetel. Na Itália, Telecom e Olivetti afinam o contrato na poeira do fracassado namoro da Telecom italiana com a Telekom alemã.
Na Inglaterra, onde a British Telecom anuncia uma ampliação da aliança com a AT&T americana, a Vodafone sela o acordo com a Bell Atlantic, funde-se com a Airtouch e anuncia, no Forum 99, que ambiciona ser a maior operadora mundial da telefonia celular.
Na Espanha, a Telefônica refaz o contato com a BellSouth, que estava de olho gordo na Sprint. O presidente da gigante espanhola, Juan Villalonga, disse no Forum 99 que pretende ser a maior operadora da América Latina - com ou sem a parceria com a ainda reticente BellSouth.
Estudo da Booz Allen & Hamilton sobre o processo de concentração no mercado das telecomunicações negócio global de US$ 1 trilhão em 2001 revela que tudo começou em 1986, exatamente quando o governo americano quebrou o monopólio privado da AT&T. Ainda hoje, a AT&T é a primeira dos Estados Unidos e a terceira do mundo, atrás das japonesas Nippon (telefonia fixa) e NTT (telefonia celular). A Deutsche vem em quarto e a British em quinto.
Globalstar
- O celular mundial via satélite do consórcio Globalstar fará sua estréia no Brasil na próxima terça-feira, anunciou aqui em Genebra o presidente da subsidiária brasileira, Pedro Maissonave. O projeto no País está orçado em US$ 180 milhões.
Consórcio
- No mundo, a Globalstar reúne Loral, Alcatel, Qualcomn, France Télécom, China Telecom, Daimler-Chrysler, Hyundai e Vodafone-Airtouch. No Brasil, o consórcio dá carona à Brasilstar.
Três bases
- Com 48 satélites em órbita baixa (1.414 km), o sistema terá 22 estações terrestres. Três delas, no Brasil: Presidente Prudente (SP), Petrolina (PE) e Manaus (AM). Capacidade para 500 mil assinantes no País.
Desafio
- Com custos menores e serviços melhores, a Globalstar tenta acertar onde a Iridium e a ICO Global estão quebrando a cara ambas em concordata nos Estados Unidos.





