‘‘A telefonia celular não é instrumento de exclusão social. Bem ao contrário. Ela promove a inclusão, dos pobres na Era da Informação.’’
Serge Tchuruk, presidente Mundial da Alcatel.
Todos com todos
A
GENEBRA – O paradigma da sociedade da informação no século 21 será a invenção de Graham Bell no século 19: o telefone nosso de cada dia. Um telefone quase de graça na mão de um terráqueo adulto em cada dois – no ano 2010. Palavra de Serge Tchuruk, presidente da francesa Alcatel, num painel do Fórum 99 da Telecom Geneva. Painel que reuniu também os chefões da Microsoft, Nec, Ericsson, Intel e AT&T.
Não se trata do nosso pobre celular de hoje. E, sim, do celular convertido em televisor e em computador. Plugado na Internet futura de banda larga, transmitindo e recebendo vozes, imagens e dados – bilhões de dados por segundo. A uma tarifa próxima de zero por minuto. Com direito a um celular, então, sim, de alcance global, sem grilo, sem bug, sem moratória.
Debruçado sobre o relatório da telefonia celular da União Internacional das Telecomunicações (UIT) – vide em Secos & Molhados – Serge Tchuruk disse que o celular de amanhã estará fazendo parte da cesta básica da qualidade de vida também da população de baixa renda em países ricos, pobres e emergentes. A comunicação integrada e interativa será a moeda corrente dos indivíduos, das empresas e das nações.
Produtos e serviços cada vez melhores e maiores, a custos e preços cada vez menores, nas asas do desenvolvimento das tecnologias da informação, devem garantir a inclusão da população de baixa renda na Economia do Conhecimento.
A Alcatel é líder mundial no sistema ADSL (Asymetric Digital Subscriber Line) e introduz aqui na Telecom Geneva o novo sistema VDSL (Very high-speed Digital Subscriber Line). Porta de entrada para o UMTS (Universal Mobile Telecommunication Service), o protocolo futuro da telefonia sem fio de banda larga, monitorado pela UIT. Que tem tudo, segundo os iniciados do ramo, para reprisar na telefonia celular o atual monoteísmo do IP, o granítico protocolo da Internet.
O casamento indissolúvel do celular com a Internet tem como ponto de partida o padrão WAP (Wireless Application Protocol). Ele acaba de tomar conta da União Européia e deve desembarcar nos Estados Unidos em dezembro. A Motorola e a Nokia mostraram em painel do Fórum 99 que metade dos celulares que serão vendidos no ano que vem estará equipada com browsers do padrão WAP.



Meio bilhão
- Com ou sem a Internet, 500 milhões de celulares estarão ativados em todo o mundo em fevereiro de 2001. O primeiro bilhão é esperado para março de 2002. Projeções da UIT no seu primeiro relatório global da telefonia celular, distribuído ontem.
Os únicos
- O relatório da UIT revela que nos 37 países mais pobres do mundo o celular é hoje a única comunicação disponível para a população em geral. A velha telefonia fixa ainda é luxo de governos, de empresas e dos ricaços de sempre.
Abertura
- E mais: a explosão do celular só ocorre, segundo a UIT, em países que acabaram com o monopólio estatal. Esses países, Brasil no meio, passaram de 28, em 1993, para 104, em junho de 1999.
Relatório
- A quem interessar possa, o vasto estudo da UIT já navega na Internet (www.itu.int/ti). Impresso, está à venda por e-mail ([email protected]).

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