Joelmir Beting
Só fazemos melhor aquilo que repetidamente insistimos em melhorar. A busca da excelência não deve ser um objetivo. E, sim, um hábito.
Aristóteles (384-322 a.C.), filósofo grego
Televisão em ebulição
No olho do furacão de mudanças tecnológicas profundas, de mudanças mercadológicas rápidas e de mudanças regulatórias melindrosas, a televisão por assinatura realiza em São Paulo, de segunda até quarta-feira, a ABTA 99 Exposição e Congresso Internacionais de Televisão/Telecomunicação por Assinatura. Participam do evento expositores e executivos de 14 países.
No Brasil, o mercado é um bolo de bom fermento. Movimenta emissoras, operadoras de controle de recepção, processamento, geração e retransmissão do sinal, fornecedores de equipamentos, prestadoras de serviços e programadoras independentes. O número de assinantes acaba de furar a barreira dos 3 milhões. Eles dispõem de 95 canais operados por 52 grupos empresariais. Tais grupos desfrutam de 223 outorgas. Outras 500 outorgas de cabo e MMDS deverão ser ativadas no ano que vem. Uma farra! Se é que haverá mercado suficiente de conteúdo, audiência e publicidade para todos...
A verdade é que a travessia de 2000, no efervescente setor, está mais para caminho de pedras que para caminho de rosas, diz Alexandre Annenberg, presidente da Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura (ABTA). Caso dos direitos de passagem dos cabos por postes e dutos das empresas de energia - ainda não regulamentados. Ou dos direitos autorais: a legitimidade do Ecad como órgão arrecadador continua questionada. E a carga fiscal do setor (ICMS, Fust e Funttel) ainda é abusiva.
A mais: a convergência tecnológica de televisão, computação, telefonia e Internet, segundo Alexandre Annenberg, dificulta e quase inviabiliza a fixação de marcos regulatórios pela Anatel. Além de desencadear a invasão da área televisiva por gigantes das telecomunicações e até mesmo da energia. O modelo de competição por overbuilding, por exemplo, onera o assinante com custos de construção de redes superpostas.
Astudo da Pay-TV Survey, encomendado pela ABTA, revela que o cabo (coaxial e óptico) responde por 64% dos assinantes. O sistema de microondas MMDS contenta-se com 11%. O sistema DTH, por satélite, alcança 25% (nos Estados Unidos, 62%). A Net Brasil e afiliados respondem por 64% dos assinantes. A TVA e associados, 29%. As independentes, 7%.
Operadoras e programadoras empregam 11 mil profissionais e ensaiam faturar, este ano, R$ 1,6 bilhão. A receita com assinaturas deve gerar 45% do faturamento bruto. São Paulo hospeda 32% dos assinantes. O Rio de Janeiro, 14%.
Assinaturas
- O número de assinantes pode dobrar para 6 milhões até dezembro de 2003, prevê a Pay-TV Survey. A rede alcançará um número maior de cidades. Haverá redução de custos para as empresas e menores tarifas para os assinantes.
Penetração
- O estudo da Pay-TV Survey indica para 2003 uma taxa de penetração da TV por assinatura de até 90% nas classes A e B e de até 15% nas classes C e D. A fusão com a Internet deve colocar mais urânio no reator do mercado.
Faturamento
- As operadoras ganharão menos por assinante e bem mais pela ampliação da base de assinaturas. Novas tecnologias permitirão um leque maior de serviços adicionais. Crescerão as vendas de canais premium e pay-per-view.
Ampliação
- As receitas também aumentarão com os lançamentos de pacotes populares e com a venda pré-paga de pacotes. Aposta-se igualmente na oferta de incentivos para o upgrade de serviços mais caros.





