‘‘A tecnologia nos fornece coisas mais rapidamente que a velocidade com que aprendemos o que fazer com elas.’’
Hannes Alfvén, Prêmio Nobel de Física (1970).
‘‘Milenium Facility’’
Nos rescaldos da assembléia anual, em Washington, o FMI anuncia uma linha especial de crédito, de caráter emergencial, para socorrer governos que se sintam em apuros nesta reta de chegada do ‘‘bug’’ do milênio. Inseto, em inglês, o ‘‘bug’’ poderia ser traduzido entre nós para ‘‘grilo’’ – a fuzarca digital de computadores e equipamentos chipados, ainda com ano de dois dígitos nos campos de data. Sem adequação prévia, eles devem interpretar a virada de 99 para 00 como ano 1900 e não ano 2000.
Países pilhados na rota de colisão do ‘‘bug’’ poderão sacar até 100% da respectiva cota no FMI. A do Brasil é de US$ 4,2 bilhões. A linha especial ganhou o rótulo de ‘‘Milenium Facility’’. Os técnicos do Fundo estão duplamente alarmados. Primeiro: inventários recentes da Forrester e do Gartner Group revelam que 118 países (dos 183 que integram o condomínio monetário do FMI) não investiram o suficiente para a remoção do ‘‘bug’’ nos sistemas do setor público. Levantamento do Pentágono, abastecido pelas 194 embaixadas dos Estados Unidos, desemboca em averiguação semelhante.
Segundo: riscos de pane no sistema financeiro e/ou nos respectivos fornecedores de serviços chipados e de insumos básicos (energia e telecomunicação) já estão afetando o desempenho dos bancos e dos clientes. Os primeiros, ensaiando a redução sumária de créditos a partir de novembro. Os segundos, ameaçando sacar ativos bancários para a montagem de colchões de liquidez em ‘‘cash’’. Programa-se, igualmente, a formação de estoques preventivos de matérias-primas, insumos, componentes e produtos finais.
Ressabiados, dezenas de bancos centrais articulam emissões extras de papel-moeda para regular a liquidez do sistema. O Fed, banco central americano, acaba de abrir linha de redesconto bancário de emergência.
Ela vai de 1º de outubro, amanhã, até 7 de abril. Japão, Inglaterra, Suécia e Canadá devem fazer a mesma coisa.
Na adoção da linha ‘‘Milenium Facility’’, o FMI simula um cenário jururu para a passagem do ‘‘bug’’. Em 17 países emergentes, checados pelo próprio Fundo, prejuízos do ‘‘bug’’ poderão resultar, no ano que vem, em queda de até um quarto no PIB, em redução de até 13% nas reservas externas, em aumento de até 23% no déficit público e, fechando a roda, em elevação de até um terço na inflação anual.
E aqui no Brasil? Bancos e bolsas já passaram por testes rigorosos, em rede, sem nenhum ‘‘grilo’’ nos respectivos sistemas. O das bolsas foi realizado no último sábado. Pelo sim, pelo não, milhares de funcionários passarão o ‘‘réveillon’’ nos bancos. De prontidão.



Teste amplo
- Nas bolsas, o teste de sábado, comandado pela BM&F, mobilizou mais de 4 mil profissionais. Participaram todas as corretoras e as agências Reuters e Bloomberg.
Comitê BC 2000
- O Banco Central já destacou 200 funcionários para o plantão do réveillon, em Brasília. A tropa de choque será chefiada por Gustavo Matos do Vale, coordenador do Comitê BC 2000, o xerife do ‘‘bug’’ nos bancos do Brasil.
Mais de 5 mil
- No governo federal, são mais de 5 mil os funcionários escalados para o plantão do ‘‘bug’’. Que vai das 6 horas de 31 de dezembro até as 18 horas de 5 de janeiro. Na berlinda, a operação digitalizada de 714 órgãos da União.
Olho no mundo
- A virada de 1999 para 2000, zero hora de sábado de um ano bissexto, vai começar pela Nova Zelândia, às 9 horas de 31 dezembro, em Brasília. Montou-se um esquema para acompanhar o ‘‘bug’’ em todo o mundo.

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