Joelmir Beting
Sucesso nos negócios é apenas uma questão de sorte. É o que nos garantem todos os que já fracassaram
Earl Wilson, colunista americano
Transparência nota 10
A note estes nomes, por ordem alfabética: Copel, Copesul, Eletropaulo, Embraer, Klabin, Light, Sabesp, Telepar, Telesp Celular e Vale do Rio Doce. São as dez empresas que produziram e publicaram os melhores balanços contábeis em 1999, relativos ao exercício fiscal de 1998. Todas ganhadoras, anteontem, do Prêmio Transparência. Iniciativa da Anefac/Fipecafi, com apoio da Serasa. O troféu Balanço do Ano ficou com a Copel, bicampeã. E o Contabilista do Ano, com César Antonio Bordin, também da Copel.
Decodificando Anefac Associação Nacional dos Executivo de Finanças, Administração e Contabilidade. Fipecafi Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Atuariais e Financeiras da USP. Serasa Centralização de Serviços dos Bancos S.A. Copel Companhia Paranaense de Energia.
Em sua terceira edição (a Klabin ganhou em 1997 e a Copel em 1998), o Prêmio Transparência fez a triagem de quase 1.500 balanços publicados este ano. Trabalho realizado por professores e estudantes de Mestrado em Controladoria e Contabilidade da Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordenador da seleção, o professor Ariovaldo dos Santos, da cadeira de Contabilidade Societária, diz que o rigor técnico da análise dos demonstrativos enquadrou apenas 89 dos quase 1.500 balanços nos critérios da premiação. O julgamento das finalistas foi feito pelos professores da Fipecafi Ariovaldo dos Santos, Eliseu Martins, Nelson Carvalho e Sérgio de Iudícibus, além de Ronoel Piccin, da Anefac.
Idealizador do Prêmio, Álvaro Ricardino Filho, da Anefac, informa que da seleção anual participam empresas estatais e privadas de todo o País, exceção de instituições financeiras e seguradoras. O que entra no mérito da escolha dos melhores balanços do ano é a qualidade dos demonstrativos contábeis e não os resultados operacionais da empresa se no azul ou no vermelho. No bloco vencedor, apenas a Klabin (papel e celulose) tem carreira no setor privado. As outras nove ou são estatais ou recém-privatizadas.
Interessante essa cultura de excelência contábil de nossas estatais. Afinal, o Brasil não tem tradição de empenho contábil nos negócios em geral e nos governos em especial. E, em matéria de auditoria externa das empresas, somos uma das economias menos auditadas do mundo. O controle alcança apenas 0,3% do nosso universo empresarial. Numa ponta, milhares de empresas formais com o pé direito enfiado no limbo da economia informal. Na outra, dezenas de empresas cuidam de publicar o balanço social engatado no demonstrativo contábil. Assunto para amanhã.
Nova vigília
- A queda da taxa básica Selic para 19% desloca as apostas do mercado financeiro para a próxima reunião do Copom, dia 6 de outubro. Na véspera, o Fed decide sobre a taxa made in USA. Sentado no viés neutro, o Copom não mais se sente pressionado.
Velho vício
- Também o FMI entra no arrastão pela alta dos juros nos Estados Unidos. Para o Fundo, só recessão controla inflação. Incluída a nova carestia da energia.
Novo choque
- O petróleo está embicado para US$ 30 antes de Finados, largada dos estoques para o inverno do Hemisfério Norte. Os barris voltam a misturar-se com os juros em escala planetária. A Opep renasce das areias.
Velho furo
- O megacampo de US$ 10 bilhões anunciado pela Petrobrás é um achado antigo. A revelação dele aguardava o momento da privatização da estatal. Acabou antecipada pela alta da Opep e pela baixa de FHC. Mais óleo para o Avança Brasil.





